Você anunciou um celular, uma geladeira ou uma bicicleta, e o comprador chegou com pressa. Mostrou o comprovante do Pix na tela, você viu o valor certo e entregou o produto. Dias depois, descobriu que o dinheiro nunca chegou. É o golpe do Pix agendado, um dos preferidos de quem compra produtos usados.
Como funciona o golpe do Pix agendado
O banco permite programar uma transferência para uma data futura. Até lá, o dinheiro continua na conta de quem agendou, e o agendamento pode ser cancelado. O golpista usa isso:
- Combina a compra e diz que fará o Pix na hora.
- Faz um agendamento para o dia seguinte ou para uma data futura.
- Mostra o comprovante de agendamento, que traz o nome, o valor e a data, e parece um pagamento.
- Leva o produto ou pede que você poste o item.
- Cancela o Pix antes da data marcada, e o dinheiro nunca chega a você.
Outras versões usam comprovantes editados em programas de imagem, ou mostram uma transferência feita para outra conta com o mesmo nome. Em todos os casos, o vendedor entrega o produto sem ter recebido.
Pix agendado, Pix feito e comprovante
Conhecer a diferença entre os três evita o problema:
- Pix agendado: é uma programação. O dinheiro ainda não saiu e a transferência pode ser cancelada pelo cliente, em geral até o dia anterior à data marcada. Cada banco tem suas regras.
- Pix feito: o valor saiu da conta de quem pagou e entrou na sua, em segundos. Só quando você vê o crédito no extrato é que o pagamento existe de fato.
- Comprovante: é uma imagem ou um documento. Ele pode ser de um agendamento, de uma tentativa que falhou ou até de algo inventado.
Como identificar um comprovante suspeito
- Aparece uma data futura ou a palavra agendado em qualquer parte da tela.
- O comprador manda um print ou foto em vez de mostrar o aplicativo aberto.
- Há pressa em levar o produto, com argumentos como “o dinheiro cai em alguns minutos” ou “meu banco demora para compensar”.
- O valor não aparece no seu extrato, mesmo após alguns minutos. O Pix real chega em segundos.
- O nome do pagador é diferente do nome de quem está retirando o produto, sem explicação.
- O comprador pede um troco ou uma devolução: paga a mais “sem querer” e pede que você devolva a diferença.
- A imagem tem inconsistências, como fontes diferentes, alinhamento estranho ou horário que não bate.
Como conferir o recebimento do jeito certo
- Abra você mesmo o aplicativo do seu banco e olhe o extrato. Não clique em links enviados pelo comprador.
- Confira o valor, o nome do pagador e o horário. Veja se o crédito aparece como Pix recebido.
- Aguarde a notificação do banco ou o crédito no saldo antes de entregar o item.
- Não considere pago com base em e-mail, SMS ou mensagem que “confirma” o pagamento. Golpistas também falsificam esses avisos.
- Se estiver com o aparelho de outra pessoa, não aceite “mostrar o extrato”: você é quem deve ver o seu.
Se algo parecer estranho, peça um tempo. Quem compra de boa-fé espera dois minutos para você conferir.
Cuidados ao vender produtos de valor
- Combine a retirada em local público e faça o Pix na sua frente, enquanto você acompanha o extrato.
- Para vendas com frete, só poste depois de o dinheiro entrar na conta.
- Não entregue o item antes de receber, mesmo que o comprador seja conhecido de um amigo.
- Prefira vender dentro da plataforma de compra e venda, que oferece proteções. Veja as dicas em golpes na OLX e no Mercado Livre.
- Desconfie de pagamento a mais e nunca devolva a diferença. Peça que o comprador cancele e refaça a transação com o valor certo.
- Registre a retirada: anote o nome, o documento e o número de telefone de quem pegou o produto, se isso for combinado de forma clara.
Já entreguei sem receber: o que fazer
- Confirme no seu extrato que o valor realmente não entrou.
- Guarde as provas: conversa, anúncio, comprovante falso, dados do comprador e, se houver, imagens de câmera do local.
- Registre um boletim de ocorrência com todos esses elementos, de preferência pela delegacia virtual do estado.
- Denuncie o perfil na plataforma onde fez a negociação.
- Avise o banco, embora, nesse caso, não haja valor a bloquear: o dinheiro nunca saiu da conta do comprador.
- Procure orientação jurídica, como a Defensoria Pública ou um advogado, se você conseguir identificar o comprador e o valor justificar.
O roteiro geral está em o que fazer depois de cair em um golpe. Para conhecer outras fraudes de transferência, veja golpes do Pix: como se proteger.
Para quem vende com frequência
Lojistas e vendedores recorrentes podem reduzir o risco com algumas práticas:
- Use cobranças com QR Code dinâmico ou o recurso de cobrança do banco, que confirma o pagamento automaticamente no sistema.
- Dê acesso ao extrato apenas a quem precisa e treine a equipe para nunca liberar produto com base em imagem.
- Cole um aviso no balcão: “Só liberamos o produto após a confirmação no aplicativo do banco”.
- Revise o extrato todos os dias para detectar estornos ou pagamentos suspeitos.
Pense sempre assim: dinheiro só existe quando está na sua conta. Enquanto você não viu o valor no seu aplicativo, não há venda concluída, e esperar alguns minutos é um custo pequeno perto do prejuízo de entregar sem receber.