Um tênis de marca pela metade do preço, um celular com desconto de 70% numa “queima de estoque”, um anúncio patrocinado no Instagram com contagem regressiva. Lojas falsas parecem cada vez mais reais, com fotos profissionais, logotipo de marca famosa e até chat de atendimento.
A boa notícia é que um checklist de poucos minutos separa a maioria delas das lojas de verdade. Veja o que conferir antes de pagar.
1. Confira o endereço com atenção
O primeiro sinal está na barra de endereço do navegador:
- Letras trocadas ou a mais: um “l” no lugar de “i”, um “rn” imitando “m”, hífens extras, palavras como “oficial”, “promo” ou “outlet” coladas no nome da marca.
- Terminação estranha: a loja que você conhece usa “.com.br” e o site aberto termina com outra coisa.
- Link de anúncio ou mensagem: se chegou por anúncio, SMS ou WhatsApp, feche e digite você mesmo o endereço da loja, ou abra o aplicativo oficial.
O cadeado ao lado do endereço só mostra que a conexão é protegida. Sites falsos também têm cadeado, então ele sozinho não prova nada.
2. Procure e consulte o CNPJ
Toda loja online brasileira precisa informar seus dados de identificação, normalmente no rodapé do site ou na página “Quem somos”. Procure:
- Razão social e CNPJ.
- Endereço físico e um canal de contato além de formulário, como telefone ou e-mail.
- Política de troca e devolução clara.
Depois, consulte o CNPJ no site da Receita Federal (gov.br) e confira se a empresa está ativa, se o nome bate com o da loja e se a atividade faz sentido. Um CNPJ de restaurante vendendo eletrônicos, por exemplo, é um alerta. Se o site não tem CNPJ, desista da compra.
Para sites terminados em “.br”, você também pode consultar no Registro.br quando o domínio foi criado. Loja que diz ter vinte anos de mercado em um endereço registrado há poucas semanas merece desconfiança.
3. Pesquise a reputação da loja
Antes de comprar em uma loja que você não conhece:
- Busque o nome da loja seguido de “é confiável” ou “golpe” no Google e veja o que aparece.
- Consulte sites de reclamação de consumidores, como o Reclame Aqui, e veja se a loja existe lá, quantas reclamações tem e se responde.
- Confira a lista do Procon-SP de sites não recomendados, que reúne lojas com reclamações de não entrega.
- Desconfie de avaliações só positivas dentro do próprio site. Elas podem ser inventadas.
Loja nova não é sinônimo de golpe, mas loja nova, sem histórico e com preço muito baixo é uma combinação arriscada.
4. Observe o preço e a pressão
Golpistas sabem que desconto grande e pressa desligam o senso crítico. Sinais clássicos:
- Preço muito abaixo do praticado em outras lojas para o mesmo produto.
- Contador regressivo e avisos de “últimas unidades” em todos os produtos.
- Desconto extra só no Pix, às vezes bem maior do que o normal do mercado.
- Site com erros de português, imagens de baixa qualidade ou textos copiados de outras lojas.
- Perfil em rede social recente, com poucos posts e comentários desativados.
5. Prefira formas de pagamento com proteção
A forma de pagamento faz diferença se algo der errado:
- Cartão de crédito permite contestar a compra junto ao banco emissor quando o produto não chega. Se a loja oferecer, use um cartão virtual, que pode ser apagado depois.
- Pix e boleto caem na hora e são muito mais difíceis de reverter. Prefira esses meios apenas em lojas que você conhece bem.
- Na tela do Pix, confira o nome do recebedor. Se a loja se chama de um jeito e o Pix vai para uma pessoa física ou outra empresa, cancele.
- Marketplaces conhecidos costumam segurar o pagamento até a entrega e ter canal de reclamação. Mesmo assim, negocie e pague sempre dentro da plataforma, nunca por fora.
Os golpes que envolvem Pix estão detalhados em golpes do Pix: os mais comuns e como se proteger.
Comprei em um site falso: e agora?
- Fale com o banco imediatamente pelos canais oficiais. Com cartão, peça a contestação da compra. Com Pix, peça a contestação pelo MED, o Mecanismo Especial de Devolução.
- Registre um boletim de ocorrência, pela delegacia online do seu estado, se houver.
- Guarde as provas: prints do site e do anúncio, e-mails, comprovante e endereço da página.
- Denuncie o anúncio na rede social onde ele apareceu e registre reclamação no Procon.
- Troque a senha se você criou uma conta no site com a mesma senha de outros serviços. Veja como criar uma senha forte.
Na próxima compra em loja desconhecida, reserve cinco minutos para este checklist antes de pagar. É pouco tempo perto do prejuízo que ele evita. Mais orientações na categoria segurança digital e, se você vende online, na categoria e-commerce.