O golpe aconteceu, o dinheiro saiu ou os dados foram entregues, e a cabeça parece ficar a mil. Respire. Cair em um golpe não é falta de inteligência: criminosos ensaiam histórias para enganar qualquer pessoa. O que importa agora é agir rápido e na ordem certa, porque as primeiras horas fazem diferença.
Primeiro: aja rápido, sem culpa
Três ideias ajudam a manter a cabeça no lugar:
- Tempo importa. Quanto antes você avisar o banco, maior a chance de bloquear valores e impedir novos prejuízos.
- Vergonha atrapalha. Muita gente demora a pedir ajuda por constrangimento. Quem foi enganado é vítima de um crime.
- Pare de falar com o golpista. Não pague mais nada, não negocie e não ameace. Qualquer nova conversa pode piorar a situação.
Nos primeiros 30 minutos
- Ligue para o banco pelo número oficial, que está no verso do cartão ou no aplicativo. Não use números enviados pelo golpista.
- Explique o que houve: o tipo de golpe, os valores, os horários e para quem o dinheiro foi enviado.
- Se foi Pix, peça o acionamento do MED, o Mecanismo Especial de Devolução, que permite ao banco tentar bloquear o valor na conta de quem recebeu. O banco também pode pedir mais informações.
- Se foi cartão, peça o bloqueio, a contestação das compras e um novo cartão.
- Se foi boleto ou transferência, peça a contestação e pergunte que documentos o banco precisa.
- Anote o número do protocolo e o nome do atendente.
- Se informou senha ou código, peça o bloqueio de acessos e a troca de senha.
Proteja suas contas e aparelhos
Depois de falar com o banco, feche as portas para novas invasões:
- Troque as senhas, começando pelo e-mail e pelas contas financeiras. Use um aparelho confiável e senhas longas, diferentes em cada serviço.
- Ative a verificação em duas etapas nas contas principais.
- Encerre sessões abertas em aparelhos desconhecidos.
- Se instalou um aplicativo a pedido do golpista, desinstale-o e, se possível, desconecte o aparelho da internet até verificá-lo.
- No WhatsApp, abra Aparelhos conectados e remova o que não for seu. Se a conta foi invadida, veja WhatsApp clonado ou invadido.
- Avise familiares e contatos se o golpista teve acesso à sua conta ou aos seus dados.
Guarde todas as provas
Não apague nada, nem a conversa nem o perfil. Reúna:
- Prints da conversa, com data e horário visíveis.
- Link e nome do perfil, anúncio ou site.
- Número de telefone, chave Pix, nome e conta que receberam o dinheiro.
- Comprovantes de transferência, boleto ou compra.
- E-mails, SMS e áudios relacionados.
- Um resumo cronológico do que aconteceu, com datas, horas e valores.
Essas informações serão úteis para o banco, a polícia e, se necessário, a Justiça.
Registre o boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência documenta o crime, que pode ser estelionato ou fraude eletrônica, e costuma ser pedido pelos bancos nas contestações.
- Procure a delegacia virtual do seu estado, que costuma permitir o registro de golpes online. Se não houver, vá a uma delegacia.
- Leve as provas organizadas e um documento de identidade.
- Descreva os fatos com clareza, em ordem cronológica, sem omitir informações.
- Peça uma cópia do boletim e guarde-a junto com os protocolos do banco.
Os procedimentos mudam de estado para estado. Verifique o site da polícia civil do seu estado.
Se seus dados pessoais foram usados
Quando o golpista conseguiu documentos, CPF ou fotos, o risco continua depois do golpe:
- Acompanhe seu CPF nos serviços de crédito e fique atento a contas, cartões ou empréstimos que você não pediu.
- Consulte o Registrato, serviço do Banco Central que informa em quais instituições você tem relacionamento, para identificar contas abertas em seu nome.
- Conteste qualquer empréstimo ou cobrança indevida diretamente na instituição, por escrito, com o boletim de ocorrência.
- Troque senhas e reforce a segurança do e-mail e do celular.
Para saber mais sobre exposição de dados, veja vazamento de dados: o que fazer.
Onde reclamar e buscar ajuda
- Ouvidoria do banco, se o atendimento comum não resolver.
- Banco Central, que recebe reclamações sobre instituições financeiras.
- Procon e consumidor.gov.br, em casos de compras e serviços.
- A plataforma onde o golpe ocorreu, com denúncia do perfil ou anúncio. Veja como denunciar um perfil falso.
- SaferNet Brasil, que recebe denúncias de crimes na internet.
- Defensoria Pública ou advogado, para avaliar a possibilidade de ação, inclusive contra o banco, conforme as circunstâncias.
Esta é uma orientação geral e não substitui o parecer de um profissional.
Cuidado com o segundo golpe
Depois do primeiro golpe, muitas vítimas são procuradas por criminosos que oferecem ajuda:
- “Recuperadores de dinheiro” que cobram adiantado para devolver valores.
- Falsos policiais, advogados ou funcionários do banco que ligam para “resolver o caso”.
- Perfis que se oferecem para rastrear o golpista em troca de pagamento.
Nenhum serviço sério cobra adiantado para recuperar dinheiro de golpe. Procure os canais por conta própria.
Cuide de você e ajude outras pessoas
Conversar com alguém de confiança alivia a vergonha e evita que você tome decisões sozinho sob pressão. Se o prejuízo foi grande, considere buscar apoio psicológico. E compartilhar sua experiência, sem expor dados, ajuda outras pessoas a reconhecerem o golpe. Para entender melhor os golpes de transferência, veja golpes do Pix: como se proteger.