O Pix é rápido, gratuito e cai na hora. É justamente por isso que virou o meio preferido dos golpistas: quando o dinheiro sai, ele some em segundos. A boa notícia é que quase todo golpe de Pix segue poucos roteiros, e reconhecê-los já elimina a maior parte do risco.
Abaixo estão os golpes mais comuns, os sinais de alerta de cada um e o que fazer se você já transferiu.
Por que o Pix é tão usado em golpes
O Pix não tem estorno automático como um cartão de crédito. Quando você confirma a transferência, o valor vai direto para a conta do recebedor, e o golpista costuma repassá-lo para outras contas em minutos. Por isso, toda a defesa está no momento antes de apertar “confirmar”.
Quase todo golpe tem três ingredientes: pressa, uma história emocionante ou assustadora e um pedido de transferência para uma conta que você não conhece. Sempre que esses três aparecem juntos, pare.
Os golpes de Pix mais comuns
- Falso parente ou amigo: alguém manda mensagem de um número novo dizendo que trocou de celular e pede um Pix urgente para pagar uma conta. Explico em detalhes em golpe do falso parente no WhatsApp.
- Falsa central do banco: você recebe uma ligação ou SMS sobre uma “compra suspeita”. O falso atendente pede que você transfira o saldo para uma “conta segura”, faça um “Pix de teste” ou instale um aplicativo. Banco nenhum faz isso.
- Comprovante falso: em vendas pela internet, o comprador manda a imagem de um comprovante de Pix que nunca existiu, ou um comprovante de Pix agendado que ele cancela depois. Só entregue o produto quando o dinheiro aparecer no extrato.
- Pix “por engano”: cai um valor na sua conta e logo alguém pede para você devolver para outra chave. Às vezes o depósito veio de uma conta usada em golpe, e quem devolve acaba envolvido. Nunca devolva por conta própria: use a opção de devolução do próprio app, que manda o dinheiro de volta para a mesma conta de origem, ou fale com seu banco.
- QR Code adulterado: boletos, cobranças e até etiquetas em maquininhas com um QR Code trocado. O pagamento vai para o golpista em vez do vendedor.
- Falsa venda e falso anúncio: produto barato demais em rede social ou marketplace, com pagamento só por Pix para pessoa física. Veja como checar a loja em como saber se um site é confiável.
- Falso empréstimo ou falsa vaga de emprego: pedem uma “taxa de liberação” por Pix antes de liberar o dinheiro ou a vaga. Empresa séria não cobra para liberar empréstimo nem para contratar.
Como se proteger antes de fazer um Pix
- Confira o nome do recebedor na tela de confirmação. Se aparecer um nome diferente de quem você esperava, cancele.
- Confirme pedidos de dinheiro por outro canal. Se um parente pede Pix por mensagem, ligue para o número antigo dele ou faça uma chamada de vídeo.
- Desconfie da pressa. “É só hoje”, “vai cortar”, “sua conta vai ser bloqueada” são frases típicas de golpe.
- Nunca informe senha, código de SMS ou token para ninguém, nem para quem diz ser do banco.
- Não clique em links de SMS ou e-mail sobre a sua conta. Abra o app do banco diretamente. Mensagens falsas costumam imitar o visual do banco e trazer um link encurtado ou um endereço com letras trocadas.
Configure seu app do banco para reduzir o prejuízo
Os bancos oferecem ajustes que diminuem o estrago caso alguém tente usar sua conta. Os nomes mudam de banco para banco, mas procure por estes itens nas configurações do Pix:
- Limite do Pix: reduza o valor máximo por transação e por dia para algo próximo do que você realmente usa.
- Limite noturno: o Pix já tem um limite menor no período noturno, e você pode diminuir ainda mais.
- Cadastro de contatos confiáveis: alguns bancos permitem limites maiores só para contatos cadastrados.
- Pix Automático e agendamentos: confira de vez em quando as autorizações ativas e cancele o que você não reconhece.
Aumentos de limite costumam levar um tempo para valer, o que é proposital: dá tempo de você perceber se outra pessoa pediu a mudança.
Também vale proteger o celular, já que é nele que o app do banco mora. Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e use uma senha forte em cada serviço.
Caí no golpe: o que fazer agora
Agir rápido faz diferença. Siga esta ordem:
- Ligue para o seu banco imediatamente, pelo telefone oficial ou pelo chat do app, e diga que fez um Pix para um golpista. Peça a abertura de uma contestação pelo MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, criado pelo Banco Central para casos de fraude. Muitos bancos já permitem iniciar essa contestação pelo próprio app.
- Registre um boletim de ocorrência. Na maioria dos estados dá para fazer pela delegacia online, sem sair de casa. Guarde o número do BO.
- Junte as provas: prints das conversas, número de telefone do golpista, comprovante do Pix, chave e nome do recebedor.
- Informe o número do BO ao banco, se for pedido, e acompanhe o protocolo da contestação.
- Denuncie o perfil ou número no aplicativo onde o golpe aconteceu, como WhatsApp ou Instagram.
O MED não garante a devolução. Ele permite bloquear o que ainda estiver na conta do golpista, e por isso a velocidade conta. Se o banco não resolver, você pode registrar reclamação na ouvidoria do banco e no Banco Central. Em casos de valor alto, vale procurar orientação jurídica ou a Defensoria Pública.
Um hábito que resolve quase tudo
Antes de qualquer Pix fora da rotina, faça uma pausa de um minuto e responda: eu conheço esse recebedor? Confirmei por outro canal? Alguém está me apressando? Se qualquer resposta acender o alerta, não transfira. Para mais guias como este, veja a categoria segurança digital.