O Wi-Fi é prático, mas nada supera um cabo de rede quando o assunto é estabilidade. Para trabalhar com videochamada, jogar online ou transmitir ao vivo, ligar o computador direto no roteador resolve muita dor de cabeça. Só que as lojas vendem cabos com nomes confusos: Cat5e, Cat6, Cat6a, Cat7... Veja o que significa cada um e qual comprar.
Por que usar cabo em vez de Wi-Fi
O cabo entrega vantagens que o Wi-Fi tem dificuldade de igualar:
- Estabilidade: não sofre interferência de paredes, vizinhos ou micro-ondas.
- Atraso menor: a latência costuma ser mais baixa, o que ajuda em jogos e chamadas.
- Velocidade constante: você recebe perto do que o plano entrega, sem oscilar com a distância.
- Menos carga no Wi-Fi: quando computadores e TVs vão por cabo, sobra mais rede sem fio para celulares e outros aparelhos.
Para entender quando o problema da sua casa é o Wi-Fi e o cabo resolve, veja como deixar o Wi-Fi mais rápido.
O que significam as categorias
A sigla Cat vem de “categoria” e indica o padrão do cabo, isto é, a velocidade e a frequência que ele aguenta. Em termos simples:
- Cat5e: o padrão básico atual. Sustenta 1 Gbps (gigabit por segundo) em até 100 metros. É suficiente para a maioria dos planos residenciais.
- Cat6: tem mais proteção contra interferência entre os pares de fios internos. Também sustenta 1 Gbps em 100 metros e consegue 10 Gbps em distâncias curtas, em torno de 55 metros, dependendo do ambiente.
- Cat6a: versão aprimorada do Cat6. Sustenta 10 Gbps em até 100 metros. Costuma ser mais grosso e mais caro.
- Cat7 e Cat8: cabos blindados, voltados a empresas e data centers. Raramente fazem sentido em casa.
O cabo antigo Cat5 (sem o “e”) só chega a 100 Mbps, o que limita planos de internet mais rápidos.
Qual escolher e como identificar um cabo bom
Qual escolher
Pense em duas perguntas: qual a velocidade do seu plano e se você vai passar o cabo pela parede ou usar um cabo solto.
- Plano de até 1 Gbps e cabo curto entre o roteador e o computador: Cat5e ou Cat6 resolvem bem.
- Instalação nova, passando por parede ou conduíte: prefira Cat6. Custa pouco a mais, e o trabalho de passar o cabo é o mesmo. Refazer a obra depois é que sai caro.
- Rede interna rápida, com computadores trocando muitos arquivos grandes, ou projeto para dez anos à frente: Cat6a.
- Escritório pequeno: Cat6 costuma ser o equilíbrio ideal.
Lembre que a velocidade final depende de todos os pontos da cadeia: a porta do roteador, a placa de rede do computador e o cabo. O elo mais lento limita os outros. Por isso, trocar um cabo Cat5e em bom estado por um Cat6 só para ganhar velocidade, sem mexer em mais nada, costuma não mudar o resultado.
Como escolher um cabo bom
Mais do que a categoria, a qualidade do material decide se o cabo vai funcionar bem:
- Condutor de cobre puro. Existem cabos baratos com fios de alumínio revestidos de cobre (CCA), que quebram com facilidade e não cumprem a especificação. Procure a indicação de cobre (pure copper) na embalagem.
- Conector RJ45 bem encaixado, com a trava intacta.
- Cabo com marcação da categoria impressa na capa, como “Cat6”.
- Marca conhecida e, no caso de rolos para instalação, que atenda às normas técnicas.
- Comprimento adequado. Evite sobras enormes enroladas, que não ajudam em nada.
Para cabos que atravessam a casa, prefira o padrão UTP (sem blindagem) ou FTP/STP se houver muita interferência elétrica no caminho. Em casa, o UTP costuma bastar.
Cuidados na instalação e no uso
Cuidados na instalação
- Limite de 100 metros entre os equipamentos. Acima disso, a conexão fica instável.
- Evite dobras fortes, esmagamento e puxões. Não passe o cabo sob portas ou tapetes pesados.
- Mantenha distância de fios de energia e de reatores de lâmpadas, para reduzir interferência.
- Use o mesmo padrão nas duas pontas se fizer o cabo você mesmo (T568A ou T568B). Misturar os padrões em uma ponta e outra só serve para ligar dois computadores sem equipamento no meio.
- Prefira cabos prontos (patch cords) para conectar aparelhos. Crimpar os conectores exige ferramenta e prática, e uma emenda mal feita causa quedas.
- Identifique os pontos com etiquetas, principalmente se houver vários.
- Teste depois de instalar. Conecte um computador ao ponto e confira se a luz da porta acende e se a velocidade negociada é a esperada. Um testador de cabos simples ajuda a achar fios invertidos ou rompidos.
Se o cabo não chegou na velocidade esperada
Se você ligou o cabo e a velocidade continua baixa, verifique:
- Porta do roteador: modelos antigos têm portas de 100 Mbps. Procure por “Gigabit” ou “10/100/1000”.
- Placa de rede do computador: algumas máquinas antigas também são limitadas a 100 Mbps.
- Adaptadores e cabos antigos no caminho.
- O plano em si: teste a velocidade, como em como medir a velocidade da internet, para saber o que a operadora entrega.
Quando a lentidão aparece também no cabo, o problema não é o Wi-Fi, e a investigação deve seguir o caminho de internet lenta: o que fazer.
Cabo para ampliar a rede
Se o objetivo é levar internet para outro cômodo, o cabo é o melhor jeito de fazê-lo, principalmente quando combinado com um ponto de acesso ou com unidades de uma rede mesh. A comparação das opções está em repetidor, mesh ou roteador novo.
Em resumo
Para ligar um computador ao roteador, um cabo Cat5e ou Cat6 de cobre puro, de boa marca e com comprimento adequado resolve. Se for passar cabo na parede, vale já colocar Cat6, para não precisar refazer depois. E, antes de pagar mais caro, confirme se as portas dos seus equipamentos e o plano de internet realmente aproveitam a diferença.