O sinal chega bem na sala e some no quarto dos fundos. Antes de comprar qualquer coisa, vale entender as opções, porque repetidor, mesh e roteador novo resolvem problemas diferentes. Escolher o errado é o jeito mais comum de gastar dinheiro e continuar com o Wi-Fi ruim.
Primeiro, confirme que o problema é cobertura
Se a internet está lenta em todos os cômodos, inclusive ao lado do roteador, o problema provavelmente é o plano ou a operadora, e nenhum repetidor vai ajudar. Faça o teste: conecte um computador por cabo ao roteador e meça a velocidade em um site de teste. Se por cabo está tudo certo e só o Wi-Fi falha em alguns lugares, aí sim é cobertura.
Antes de gastar, tente o que é gratuito: coloque o roteador em um local central, alto e aberto, longe de micro-ondas e de paredes grossas. Os ajustes de como deixar o Wi-Fi mais rápido resolvem muitos casos.
Repetidor de sinal
O repetidor recebe o sinal do roteador e o retransmite em outro ponto. É barato e fácil de instalar: pluga na tomada e segue as instruções.
Vantagens:
- instalação simples e sem fios;
- boa opção para cobrir um único cômodo ou um corredor.
Desvantagens:
- cada repetidor comum perde parte da velocidade, porque usa a mesma faixa para receber e enviar;
- costuma criar uma segunda rede, e seu celular pode ficar preso na que está mais fraca;
- só funciona bem se for colocado onde ainda há sinal bom, não onde o sinal já morreu.
Um erro frequente é instalar o repetidor no cômodo com sinal ruim. O lugar certo é a meio caminho, onde o Wi-Fi ainda chega forte. Como regra prática, se o celular mostra apenas uma ou duas barras de sinal no ponto escolhido, o repetidor vai receber pouco e retransmitir pouco; aproxime-o do roteador até o sinal ficar bom.
Rede mesh
Um sistema mesh é formado por duas ou mais unidades que trabalham juntas e formam uma única rede, com o mesmo nome e a mesma senha. O celular passa de uma unidade para outra sem você perceber, conforme anda pela casa.
Vantagens:
- cobertura uniforme em casas grandes, com vários andares ou paredes grossas;
- um único nome de rede e gerenciamento por aplicativo;
- modelos com faixa exclusiva para a comunicação entre as unidades perdem menos velocidade.
Desvantagens:
- custa mais que um repetidor;
- em casa pequena ou apartamento, pode ser exagero;
- para funcionar bem, as unidades precisam ficar a uma distância adequada uma da outra.
O mesh brilha quando as unidades se conectam entre si por cabo, o que elimina a perda de velocidade. Se você tem ponto de rede em algum cômodo, aproveite.
Ponto de acesso ligado por cabo
Um ponto de acesso é um equipamento que recebe a internet por um cabo de rede e a transforma em Wi-Fi no local onde ele está. É a solução mais estável e rápida, porque o sinal viaja pelo cabo e não por ondas.
Serve quando:
- já existe um cabo de rede passando por outro cômodo ou dá para passar um;
- você tem um roteador antigo guardado: muitos podem funcionar como ponto de acesso, desligando a função de roteamento.
Passar cabo tem custo e trabalho, mas costuma ser o investimento mais duradouro. Para escolher o cabo, veja cabo de rede: Cat5e, Cat6 ou Cat6a.
Adaptadores que usam a rede elétrica
Os adaptadores PLC levam a internet pelos fios de energia da casa. São úteis quando não dá para passar cabo. O resultado depende da qualidade da fiação, de ela estar no mesmo circuito e da distância. Em instalações antigas, pode funcionar mal, e alguns aparelhos conectados à mesma tomada podem gerar ruído. Use como alternativa, não como primeira escolha, e confira se a loja aceita devolução caso o resultado seja ruim na sua casa.
Roteador novo
Às vezes o problema é o próprio equipamento. Vale pensar em trocar quando:
- o roteador tem muitos anos e só trabalha na faixa de 2,4 GHz;
- ele trava ou reinicia sozinho com frequência;
- há muitos aparelhos conectados e a rede engasga;
- o plano de internet é muito mais rápido do que o roteador aguenta.
Um roteador mais moderno melhora a capacidade e o alcance, mas não faz milagre em casa grande. Se o imóvel é pequeno, um bom roteador bem posicionado costuma ser suficiente. Para entender o que muda nos modelos atuais, leia Wi-Fi 6 vale a pena.
Qual escolher: resumo por situação e cuidados
- Apartamento pequeno, um ponto fraco: mude o roteador de lugar; se não resolver, um repetidor bem posicionado ou um roteador mais novo.
- Casa de um andar com um cômodo longe: repetidor ou ponto de acesso, se houver cabo.
- Casa grande ou com dois andares: mesh, de preferência ligado por cabo entre as unidades.
- Cabo já passado em outros cômodos: pontos de acesso, que dão o melhor desempenho.
- Roteador muito antigo: troque primeiro e só então veja se ainda falta cobertura.
Cuidado com a configuração duplicada
Ao ligar um segundo roteador atrás do modem da operadora, a casa pode ficar com duas redes em sequência, o que causa problemas em jogos, câmeras e acesso remoto. Esse problema é conhecido como NAT duplo. Evite isso configurando o equipamento extra como ponto de acesso, ou pedindo à operadora para colocar o modem em modo bridge. O ideal é consultar o manual ou o atendimento antes.
Para decidir hoje
Meça o problema, teste o roteador em outro lugar, e só depois escolha. Para a maioria dos apartamentos, reposicionar ou trocar o roteador resolve. Para casas grandes, um mesh ligado por cabo compensa. Quando o sinal chega bem, mas a internet em si é lenta, o assunto muda de figura: veja internet lenta: o que fazer.