Orçamento familiar é o plano de como o dinheiro da casa entra e sai ao longo do mês. Quando ele existe só na cabeça de uma pessoa, a conta quase sempre fecha no susto. Uma planilha simples, que todos conseguem ler, resolve isso. Aqui está um modelo que você pode montar em uma tarde, no Excel ou no Google Planilhas.
O que o modelo precisa ter
Antes de abrir a planilha, defina o que você quer responder. Um bom orçamento familiar responde a quatro perguntas:
- Quanto entra por mês, somando todas as fontes?
- Quanto sai em despesas que não mudam (aluguel, escola, internet)?
- Quanto sai em despesas que variam (mercado, transporte, lazer)?
- Sobrou ou faltou dinheiro, e quanto?
Se quiser uma versão mais individual, veja também como fazer uma planilha de gastos pessoais. Este modelo é pensado para a casa toda.
Estrutura de abas
Crie um arquivo com três abas. Manter tudo separado evita fórmulas complicadas.
- Lançamentos: onde cada gasto e cada entrada é registrado, uma linha por movimento.
- Categorias: a lista de categorias e o valor planejado para cada uma.
- Resumo: o painel do mês, com tudo calculado.
Na aba Lançamentos, use estas colunas: data, descrição, categoria, tipo (Receita ou Despesa), quem pagou e valor. A coluna de categoria e a de tipo ficam melhores com lista suspensa, porque impedem que alguém digite “Mercado” de um jeito e “mercado ” de outro, o que quebraria as somas.
Categorias sugeridas
Adapte à sua realidade. Uma divisão comum é:
- Moradia: aluguel ou financiamento, condomínio, luz, água, gás, internet.
- Alimentação: mercado, feira, padaria. Restaurantes e delivery podem ficar em uma categoria própria, de lazer.
- Transporte: combustível, passagem, aplicativo, manutenção.
- Saúde: plano, farmácia, consultas.
- Educação: mensalidade, material, cursos.
- Lazer: passeios, assinaturas de streaming, viagens curtas.
- Dívidas: parcelas de empréstimos e cartão.
- Reserva e metas: o dinheiro que você guarda de propósito.
- Outros: imprevistos pequenos.
Na aba Categorias, coloque o nome na coluna A e o valor planejado por mês na coluna B. Esse número é o seu teto para cada área.
Fórmulas do resumo
Na aba Resumo, liste as categorias na coluna A, o planejado na B e o gasto real na C. O gasto real vem da função SOMASE, que soma valores quando um critério é atendido. Se a categoria está em A2 e os lançamentos vão da linha 2 à 1000, a fórmula da coluna C é:
=SOMASE(Lançamentos!C2:C1000; A2; Lançamentos!F2:F1000)
Neste exemplo, a coluna C dos lançamentos guarda a categoria e a F guarda o valor. Em computadores configurados para o Brasil, o separador de argumentos costuma ser o ponto e vírgula; em outras configurações, é a vírgula. Se quiser entender melhor a função, leia SOMASE e CONT.SE.
Depois, calcule a diferença na coluna D: planejado menos gasto real. Valor positivo significa que sobrou, negativo que estourou.
Para os totais de receita e despesa do mês, use a mesma lógica, mas olhando a coluna de tipo:
=SOMASE(Lançamentos!D2:D1000; "Receita"; Lançamentos!F2:F1000)
=SOMASE(Lançamentos!D2:D1000; "Despesa"; Lançamentos!F2:F1000)
O saldo do mês é receita total menos despesa total.
Separando por mês
Há duas formas comuns de lidar com os meses:
- Uma aba de lançamentos por mês, com o mesmo layout. É mais fácil de entender, mas exige copiar o resumo.
- Uma só aba com coluna de mês, e o resumo filtra pelo mês escolhido. É mais enxuto e permite comparar o ano inteiro.
Se escolher a segunda, adicione uma coluna “Mês” em Lançamentos (você pode calcular com a função TEXTO a partir da data) e use SOMASES, que aceita vários critérios, para somar por categoria e mês ao mesmo tempo. Para análises maiores, uma tabela dinâmica resume tudo com poucos cliques.
Deixando a planilha visual
Sem ficar poluída, a planilha ganha clareza com poucos recursos:
- Formatação condicional: pinte de vermelho a célula de diferença quando for negativa. O passo a passo está em formatação condicional.
- Gráfico de colunas ou pizza: mostra quais categorias consomem mais do orçamento. Veja como fazer gráfico no Excel e no Planilhas.
- Linha de totais em destaque: receita, despesa e saldo no topo da aba Resumo, onde todo mundo vê primeiro.
Como definir os valores planejados
Um erro comum é planejar com base em como você gostaria de gastar, não em como gasta. No primeiro mês, apenas registre tudo sem se cobrar. No segundo, use a média real como ponto de partida e reduza aos poucos as categorias com mais folga, como lazer e delivery.
Se precisar de uma referência de divisão entre necessidades, desejos e poupança, a regra 50-30-20 serve como ponto de partida, adaptada à renda e às dívidas da família.
Hábitos que mantêm o orçamento vivo
Planilha parada não ajuda ninguém. Alguns hábitos simples fazem diferença:
- Escolha um dia da semana para lançar tudo, por exemplo o domingo à noite, com cinco ou dez minutos.
- Guarde os comprovantes até lançar. Fotos no celular bastam.
- Faça uma revisão rápida no fim do mês: onde estourou, onde sobrou, o que muda no próximo.
- Reserve uma linha para imprevistos. Sem ela, qualquer conserto vira rombo.
- Converse com a família olhando o resumo. Orçamento funciona quando todos entendem os números.
Para decisões de endividamento, investimento ou renegociação de dívidas, procure um profissional ou um serviço de educação financeira confiável. A planilha mostra a situação; ela não decide por você.
Comece pelo básico: três abas, oito categorias e um resumo com SOMASE. Depois de dois meses de lançamentos, os números já mostram para onde o dinheiro vai, e aí vale refinar.