Achar um pendrive no estacionamento ou na mesa do escritório desperta curiosidade. É exatamente isso que o criminoso quer. O pendrive é um dos meios mais antigos de espalhar programas maliciosos, e continua funcionando porque muita gente confia no que parece inofensivo. Veja o que realmente pode acontecer e como se proteger.
Por que um pendrive pode ser perigoso
Um pendrive é um pequeno armazenamento que se conecta ao computador, e o computador o trata com certa confiança. Os riscos principais:
- Arquivos maliciosos: programas disfarçados de documentos, planilhas, fotos ou instaladores, que infectam o computador quando você os abre.
- Atalhos falsos: um vírus esconde os arquivos reais e cria atalhos que, ao serem clicados, executam o programa malicioso.
- Dispositivos que se passam por teclado: existem aparelhos com forma de pendrive que o computador reconhece como teclado e que digitam comandos sozinhos, sem precisar de clique da vítima.
- Disseminação em rede: um computador infectado pode contaminar outros pendrives e outros computadores, principalmente em escritórios onde se troca muito arquivo.
Nada disso exige que o pendrive seja de alguém mal-intencionado: um pendrive emprestado por um colega bem-intencionado, mas infectado, causa o mesmo problema.
O golpe do pendrive “esquecido”
Uma tática conhecida é deixar pendrives em locais públicos ou em frente a empresas, às vezes com etiquetas curiosas, como “salários” ou “fotos”. Quem os encontra pluga no computador por curiosidade ou para tentar devolver ao dono. Em empresas, esse é um caminho de entrada para ataques maiores.
A regra é simples: não plugue um pendrive que você não conhece, nem em casa nem no trabalho. Se encontrou um, entregue à segurança, à recepção ou ao setor de TI. Se for a sua empresa, avise o responsável antes de qualquer tentativa de abrir.
Como usar um pendrive emprestado com cuidado
Às vezes é inevitável: o cliente entrega arquivos em um pendrive, a gráfica pede o seu. Nesses casos, reduza o risco:
- Verifique antes. Com o antivírus atualizado, clique com o botão direito na unidade do pendrive no Explorador de Arquivos e escolha a opção de verificar. Veja Windows Defender é suficiente? para conferir se a proteção está ativa.
- Desligue a Reprodução Automática. Em Configurações > Bluetooth e dispositivos > Reprodução Automática (o caminho pode variar), escolha Não fazer nada ou Perguntar sempre para dispositivos removíveis.
- Não execute programas (arquivos com extensão .exe, .msi, .bat, .js, .vbs, .scr) que estejam no pendrive.
- Ative a exibição das extensões de arquivo, no Explorador de Arquivos, em Exibir. Um arquivo chamado “fatura.pdf.exe” parece um PDF se as extensões estiverem ocultas.
- Abra só o que você esperava receber, como um PDF, um documento ou uma foto. Desconfie de pastas com nomes de pasta que são, na verdade, atalhos.
- Evite abrir documentos de Office que peçam para ativar macros. Se um arquivo pede isso do nada, não ative.
- Copie o necessário para uma pasta e verifique de novo antes de abrir.
O vírus dos atalhos no pendrive
Um dos problemas mais comuns é quando você pluga o pendrive e todas as pastas viram atalhos, e os arquivos parecem ter sumido. Em geral, os dados continuam lá, apenas ocultos por um vírus. O que fazer:
- Não clique nos atalhos. Eles ativam o vírus novamente.
- Rode o antivírus na unidade inteira e remova o que ele encontrar.
- Mostre os arquivos ocultos. No Explorador de Arquivos, em Exibir, marque a opção de mostrar itens ocultos. Se as pastas reais aparecerem “apagadas” (esmaecidas), copie-as para o computador.
- Se necessário, restaure os atributos. No Prompt de Comando, a instrução attrib -h -r -s /s /d X:\*.* (troque X pela letra da unidade) remove os atributos de oculto e de sistema dos arquivos. Use com cuidado e apenas na unidade correta.
- Apague os atalhos e faça uma nova verificação.
- Formate o pendrive depois de copiar tudo que importa, para garantir que o vírus saiu.
- Verifique o computador, porque ele pode ter sido a origem do vírus ou ter sido infectado.
Se isso acontece com frequência em computadores de uso compartilhado, é sinal de que há um computador infectado que precisa de limpeza. Veja como saber se o celular tem vírus para o roteiro equivalente em aparelhos móveis.
Carregadores e cabos desconhecidos
O raciocínio vale para portas USB públicas e cabos de origem desconhecida:
- Portas USB de carregamento público em aeroportos, hotéis e cafés podem, em teoria, tentar transferir dados. O risco para o usuário comum é baixo, mas é simples evitá-lo.
- Use seu próprio carregador na tomada, ou um power bank.
- Quando o celular perguntar se deve permitir transferência de dados, escolha somente carregar.
- Cabos presenteados ou achados merecem desconfiança. Compre cabos de marcas conhecidas.
Cuidados para empresas
Quem tem funcionários precisa de uma regra mínima:
- Proibir o uso de pendrives pessoais em computadores com dados sensíveis, ou liberar só os da empresa.
- Desativar a execução automática nos computadores.
- Manter antivírus ativo e atualizado com verificação automática de mídias removíveis.
- Orientar a equipe sobre o golpe do pendrive encontrado e deixar claro a quem entregar.
- Criptografar pendrives que transportam dados de clientes. Veja como colocar senha em arquivo, pasta e pendrive.
Resumo prático
- Pendrive desconhecido: não plugar.
- Pendrive emprestado: verificar, desligar reprodução automática, mostrar extensões.
- Pendrive com atalhos: não clicar, limpar com antivírus, recuperar os arquivos ocultos.
- Carregador público: usar o seu próprio ou escolher só carregar.
Se você tem um pendrive de origem duvidosa na gaveta, o melhor destino é o lixo eletrônico, não o computador.