Vírus, trojan, spyware, ransomware, worm: os nomes assustam, e muita gente usa tudo como sinônimo de “vírus”. Faz sentido, porque o resultado para o usuário é parecido: um problema no computador ou no celular. Mas conhecer a diferença entre os tipos ajuda a entender como cada um chega, o que faz e como evitar.
Malware: o nome geral
Malware vem de “malicious software”, ou programa malicioso. É qualquer software criado para causar dano, roubar informações, espionar ou dar a um criminoso o controle de um aparelho. Os vários nomes que você ouve são tipos de malware, classificados pelo que fazem ou pelo modo como se espalham.
Um mesmo programa pode misturar características. Por exemplo, um trojan pode instalar um spyware, que depois baixa um ransomware. Por isso, o mais importante é entender as grandes famílias e, principalmente, os caminhos de entrada, que são poucos.
Vírus, worms e trojans
Esses três são os mais conhecidos e se diferenciam pelo jeito de se espalhar:
- Vírus: se anexa a um arquivo ou programa legítimo. Quando você abre esse arquivo, o vírus se ativa e tenta contaminar outros. Precisa de uma ação sua para começar, mas se copia depois.
- Worm (verme): se espalha sozinho, de computador em computador pela rede, geralmente explorando falhas de segurança. Não depende de você abrir nada, e por isso pode atingir muitas máquinas rapidamente. Computadores sem atualização são os alvos preferidos.
- Trojan (cavalo de Troia): se disfarça de algo útil ou desejável, como um programa gratuito, um atualizador, um jogo ou uma fatura. Ele não se copia sozinho: depende de você instalá-lo. Uma vez dentro, abre a porta para outros programas maliciosos.
No Brasil, são muito comuns os trojans bancários, feitos para roubar dados de internet banking e aplicativos de banco, às vezes exibindo telas falsas por cima do app verdadeiro.
Spyware, keylogger, adware e outros
Este grupo tem foco em informação e publicidade:
- Spyware: observa o que você faz e envia os dados ao criminoso: sites visitados, senhas, mensagens, localização. Quando é instalado para vigiar uma pessoa específica, chama-se stalkerware. Veja stalkerware: como saber se há um app espião.
- Keylogger: registra o que é digitado no teclado, incluindo senhas e números de cartão.
- Adware: mostra anúncios invasivos, muda a página inicial do navegador e redireciona buscas. Nem sempre é ilegal, mas costuma ser indesejado e abre a porta para coisas piores.
- Programas potencialmente indesejados: barras de ferramentas, “otimizadores” e extensões que vêm embutidos em instaladores, coletam dados e deixam o aparelho lento.
Ransomware, botnets e mineradores
Outros tipos agem de forma mais direta:
- Ransomware: criptografa arquivos e pede resgate para devolvê-los. É um dos mais danosos para empresas e famílias. Leia ransomware: o que é e como se proteger.
- Botnet: o aparelho infectado vira parte de uma rede de máquinas controladas à distância, usadas para enviar spam ou derrubar sites. O dono muitas vezes nem percebe.
- Cryptojacking: usa o processador do seu aparelho para minerar criptomoedas sem permissão. O sinal típico é computador lento, quente, com ventoinha sempre em alta rotação.
- Rootkit e backdoor: escondem-se profundamente no sistema para manter o acesso do criminoso. São difíceis de detectar e de remover, e muitas vezes exigem reinstalar o sistema.
Como o malware chega ao aparelho
Os caminhos de entrada são poucos, e quase todos dependem de um descuido:
- Anexos e links de e-mail, SMS e mensagens, em geral com urgência ou promessas atraentes.
- Programas piratas, cracks e “ativadores”, que costumam trazer trojans embutidos.
- Aplicativos fora das lojas oficiais, instalados por link ou arquivo recebido.
- Extensões de navegador suspeitas ou compradas por terceiros mal-intencionados.
- Pendrives e dispositivos USB de origem desconhecida.
- Falhas em sistemas desatualizados, exploradas por worms e outros ataques automáticos.
- Golpes de engenharia social, como a falsa central que pede para você instalar um aplicativo de acesso remoto.
Sinais de que algo está errado
Nenhum sinal prova sozinho, mas vários juntos merecem atenção:
- Lentidão incomum, travamentos e aparelho esquentando sem uso.
- Anúncios fora de hora e páginas que abrem sozinhas.
- Programas ou apps que você não instalou.
- Navegador com página inicial ou buscador trocados.
- Antivírus desligado sem que você tenha feito isso.
- Consumo alto de internet ou de bateria.
- Mensagens enviadas em seu nome e contas com acessos que você não reconhece.
- Arquivos que não abrem ou com extensões estranhas.
Para o celular, veja como saber se o celular tem vírus.
Como se proteger de todos eles
A boa notícia é que um conjunto pequeno de hábitos barra a maior parte dos ataques:
- Mantenha o sistema, o navegador e os programas atualizados. Isso fecha as portas usadas por worms e ataques automáticos.
- Use um antivírus ativo. O do Windows já ajuda bastante. Veja Windows Defender é suficiente?.
- Baixe só de fontes oficiais: site do fabricante ou lojas de aplicativos. Evite programas piratas.
- Desconfie de anexos e links inesperados, mesmo de contatos conhecidos, que podem ter sido invadidos.
- Use conta comum no dia a dia e deixe a conta de administrador para instalar programas.
- Ative a verificação em duas etapas, que protege suas contas mesmo se a senha for roubada.
- Faça backup em mais de um lugar, para se recuperar de qualquer ataque.
- Revise as permissões dos apps e desinstale o que não usa.
O que fazer se você acha que foi infectado
- Desconecte da internet o aparelho suspeito, para interromper o envio de dados.
- Rode uma verificação completa do antivírus e siga as instruções de remoção.
- Troque as senhas importantes, usando outro aparelho limpo, e ative a verificação em duas etapas.
- Avise o banco se você digitou dados financeiros enquanto o aparelho estava infectado.
- Em caso de dúvida, faça backup só dos arquivos pessoais e restaure o aparelho de fábrica. É a solução mais segura para infecções persistentes.
- Procure ajuda profissional se for um computador de empresa ou se houver dados de clientes.
Se você quer fazer uma única coisa hoje, instale as atualizações pendentes no computador e no celular e confira se o antivírus está ligado. Em poucos minutos, você fecha as portas mais usadas por todos esses tipos de malware.