Você liga o computador e vê uma mensagem em tela cheia: seus arquivos foram “criptografados” e só voltam mediante pagamento. Esse é o ransomware, um dos ataques mais temidos por quem tem empresa e por quem guarda a vida inteira em fotos e documentos. A boa notícia é que boa parte do estrago pode ser evitada com medidas simples.
O que é ransomware
A palavra junta “ransom” (resgate) e “software”. É um programa que embaralha os arquivos do computador, dos servidores e, às vezes, dos discos de rede, de forma que ninguém consegue abri-los sem uma chave. O criminoso oferece a chave em troca de dinheiro, geralmente em criptomoeda.
Hoje é comum que o ataque tenha duas faces. Além de trancar os arquivos, o grupo copia os dados antes e ameaça divulgá-los se o resgate não for pago. É a chamada dupla extorsão. Por isso, ter backup resolve o problema do bloqueio, mas não elimina o risco de vazamento. Para isso, veja vazamento de dados: o que fazer.
Como ele entra
O ransomware não aparece do nada. Os caminhos mais comuns são:
- E-mail com anexo ou link falso: faturas, currículos, notas fiscais ou “comprovantes” que pedem para ativar macros ou abrir um arquivo compactado.
- Programas piratas e instaladores de origem duvidosa, que trazem o vírus junto.
- Falhas em sistemas desatualizados, explorados de forma automática.
- Acesso remoto mal protegido: computadores ou servidores acessíveis pela internet com senha fraca ou sem verificação em duas etapas.
- Pendrives e downloads de fontes desconhecidas.
- Contas invadidas que enviam o arquivo para a rede de contatos da vítima.
Perceba que quase todos os caminhos dependem de um clique ou de um descuido. Em empresas, o ataque costuma começar em um único computador e se espalhar pela rede até os servidores e as pastas compartilhadas, o que transforma um clique em horas de operação parada. Por isso, treinar as pessoas pesa tanto quanto qualquer programa. Comece por phishing: o que é e como identificar.
Como se proteger
Nenhuma medida isolada garante proteção total, mas o conjunto reduz muito o risco e o estrago.
- Backup separado do computador. É a defesa mais importante. Mantenha ao menos uma cópia desconectada ou em local que o vírus não alcance. Veja backup 3-2-1.
- Atualizações em dia. Sistema, navegador e programas corrigem falhas que o ransomware explora.
- Antivírus ligado, como o Defender do Windows, com a proteção contra ransomware ativada quando disponível.
- Verificação em duas etapas em e-mail, nuvem e acesso remoto.
- Conta comum no dia a dia. Se o vírus rodar com permissões de administrador, o estrago é maior.
- Desconfiança com anexos. Não abra arquivos inesperados, principalmente compactados e com macros de Office.
- Acesso remoto fechado. Em empresas, não deixe computadores expostos diretamente à internet.
O que fazer se você for atacado
Se aparecer o aviso de resgate ou arquivos com extensões estranhas e que não abrem, aja com calma e rapidez. O passo a passo geral:
- Desconecte da rede. Tire o cabo de rede e desligue o Wi-Fi do aparelho para impedir que o vírus alcance outros computadores e discos compartilhados. Em uma empresa, isole também os demais computadores suspeitos.
- Não mexa à toa. Evite apagar arquivos, reinstalar tudo ou reiniciar repetidas vezes antes de saber o que aconteceu.
- Registre o que viu. Fotografe a tela com a mensagem de resgate, anote o nome de arquivos afetados e o horário. Isso ajuda a investigação.
- Avise quem de direito. Em casa, peça apoio de alguém de confiança ou de um técnico. Em empresa, acione o responsável por TI ou o prestador de serviço.
- Troque as senhas das contas importantes, mas faça isso de outro aparelho limpo, pois o computador atacado pode estar monitorado.
- Verifique se há solução gratuita. Pesquise o nome do ransomware e consulte projetos de apoio, como o No More Ransom, que reúnem ferramentas de decifração para algumas famílias.
- Restaure a partir do backup, depois de limpar o aparelho. Muitas vezes o mais seguro é formatar e reinstalar o sistema antes de trazer os arquivos de volta.
Se o computador é de uma empresa e havia dados de clientes, procure orientação jurídica. A LGPD pode exigir comunicação à autoridade e aos titulares afetados. Veja LGPD para pequenas empresas.
Por que não pagar
Pagar parece o caminho mais rápido, mas traz riscos reais:
- Sem garantia: o criminoso pode não enviar a chave, ou enviar uma que decifra só parte dos arquivos.
- Marca você como alvo: quem paga tende a ser atacado de novo.
- Alimenta o crime: o dinheiro financia novos ataques.
- Não apaga a cópia roubada: os dados podem ser divulgados mesmo assim.
Em caso de empresa, essa decisão deve ser tomada com apoio jurídico e técnico, e o fato deve ser comunicado às autoridades. Em casos de crime, registre boletim de ocorrência.
Plano mínimo para casa e para pequenos negócios
- Faça um backup automático e teste restaurar um arquivo de vez em quando.
- Mantenha uma cópia desconectada do computador e da rede.
- Deixe atualizações automáticas ligadas.
- Combine com a equipe: ninguém abre anexo inesperado sem confirmar com quem enviou, por outro canal.
- Tenha por escrito quem chamar e o que fazer se algo acontecer: nome, telefone e passos básicos.
Também ajuda manter uma lista de contatos de emergência impressa, porque, num ataque, o computador pode estar fora do ar justamente quando você precisa do telefone do técnico, do contador e do banco. Comece hoje por uma pergunta: se todos os arquivos deste computador sumissem agora, de onde eu os traria de volta? Se a resposta é “não sei”, o primeiro passo é montar o backup.