A casa na praia tem varanda com vista, cinco quartos e um preço que parece uma pechincha. O anfitrião é simpático, responde rápido e diz que só restam duas datas. Para garantir, basta mandar um sinal por Pix. Se tudo isso lhe pareceu familiar, você está diante do desenho clássico do golpe de aluguel de temporada. Cada alta temporada traz uma nova leva de anúncios, e a defesa é a mesma: conferir o anúncio e nunca tirar a conversa e o pagamento do lugar que protege você.
Como o golpe costuma funcionar
Existem algumas versões, e vale conhecer as três principais:
- O imóvel inexistente. Fotos copiadas de outros anúncios, de sites de decoração ou de bancos de imagens. Não há casa nenhuma.
- O imóvel real, mas de outra pessoa. O golpista copia o anúncio de um imóvel verdadeiro e se apresenta como dono ou administrador. Você paga a ele, chega no local e descobre que o verdadeiro proprietário não sabe de nada.
- O clone da plataforma. Em vez de usar o site de reservas, o golpista manda um link para uma página falsa que imita o pagamento seguro. Você digita o cartão e perde o dinheiro.
Em todas, aparece o mesmo recurso: tirar você da plataforma, com argumentos como “o site cobra taxa alta”, “dou desconto se pagar direto” ou “o app está com problema”.
Sinais de anúncio falso
- Preço bem abaixo do que imóveis parecidos custam na região e na mesma época.
- Fotos perfeitas demais, com aparência de catálogo, ou repetidas em outros anúncios.
- Pressa: poucas datas restantes, pedido de sinal imediato.
- Insistência para conversar por WhatsApp logo no início.
- Pagamento por Pix para pessoa física, principalmente se o nome da conta não é o do anfitrião.
- Perfil novo, sem avaliações ou com avaliações vagas e parecidas.
- Recusa de chamada de vídeo ou de mostrar o imóvel em tempo real.
- Endereço vago ou que não bate com o que aparece no mapa.
- Link de pagamento recebido por mensagem, em vez de pagar pelo site ou aplicativo.
A regra de ouro: feche e pague dentro da plataforma
Plataformas de reserva, como Airbnb e Booking, existem em parte para intermediar a relação entre quem aluga e quem recebe. Em várias delas, o pagamento passa pela plataforma e o repasse ao anfitrião só acontece depois do início da estadia, e há regras de cancelamento, atendimento e reembolso em caso de problema. As políticas variam entre plataformas e mudam com o tempo, então leia as da que você usa.
Quando você paga por fora, perde essa estrutura. Se o imóvel não existir, não há para quem recorrer. Por isso:
- Converse pelo chat da plataforma. Mensagens ali ficam registradas.
- Pague apenas pelo botão oficial, dentro do site ou aplicativo, que você abriu digitando o endereço.
- Não clique em links de pagamento enviados por mensagem.
- Desconfie de quem pede para sair da plataforma, por qualquer motivo.
- Se o app tiver mesmo um problema, espere ou fale com o suporte oficial, e não faça pagamento paralelo.
Como conferir o anúncio antes de reservar
- Pesquise as fotos por imagem. Se aparecerem em outros anúncios com endereços diferentes, é cópia. O guia como pesquisar por imagem no Google mostra o passo a passo.
- Veja o endereço no mapa e, se possível, na visualização de rua, para comparar com as fotos.
- Examine o perfil do anfitrião: há quanto tempo está na plataforma, quantas avaliações tem, se os comentários citam detalhes reais.
- Leia as avaliações com atenção: avaliações genéricas demais ou todas com a mesma data são suspeitas.
- Peça uma chamada de vídeo mostrando o imóvel e a cidade. Um dono real costuma topar.
- Compare o preço com imóveis semelhantes na mesma data.
Quando o aluguel é direto, sem plataforma
Muita gente negocia por imobiliária local, grupos de redes sociais ou anúncios classificados. Nesses casos, a proteção depende de você:
- Confirme quem é o dono ou o responsável. Peça documentos que liguem a pessoa ao imóvel e fale com a imobiliária pelo telefone do site oficial dela.
- Pesquise o corretor ou a imobiliária no conselho profissional da área, o CRECI.
- Peça contrato por escrito, com dados completos de ambas as partes, datas, valores e regras de cancelamento.
- Pague de forma rastreável, para conta em nome do proprietário ou de uma empresa com CNPJ, e prefira cartão quando possível, pois ele permite contestação.
- Evite pagar o valor integral antecipado a quem você não consegue confirmar.
O guia golpes na OLX e no Mercado Livre traz cuidados que também valem para anúncios de classificados.
Se restar dúvida sobre o anúncio ou as mensagens do suposto anfitrião, o Isso é golpe? pode servir de segunda opinião. Cole o texto da conversa ou o endereço de um link, e a ferramenta devolve uma nota de 0 a 10, os motivos e o que fazer. Para sites, o servidor abre a página sem executar nada e lê só o texto, e a nota junta sinais objetivos, como pedido de Pix e imitação de marcas, com a análise de uma IA. É uma estimativa, sem garantia, e não substitui as conferências acima. Funciona com conta gratuita, com limite mensal de uso nesse plano, e o que você cola não é armazenado. Evite incluir dados pessoais, como CPF e número de conta.
Se você já pagou e desconfia
- Pare de pagar qualquer valor adicional, como “caução” ou “taxa”.
- Avise o banco ou a operadora do cartão na hora, pelos canais oficiais, e peça orientação sobre contestação ou devolução.
- Guarde as provas: anúncio, perfil, conversas, comprovantes.
- Denuncie o anúncio à plataforma onde o encontrou.
- Registre um boletim de ocorrência. Veja boletim de ocorrência online de golpe.
O caminho completo está em caí em um golpe: o que fazer nas primeiras horas. Antes da próxima viagem, adote uma regra simples e não negocie: só reservo e pago dentro da plataforma. Se o anfitrião não aceitar, você economizou um problema.