Um bom gráfico faz a pessoa entender o dado em segundos. Um gráfico mal escolhido faz o contrário: confunde, esconde o que importa ou, pior, passa uma ideia errada. A boa notícia é que a escolha é bem simples quando você parte da pergunta que quer responder. Este guia mostra quando usar cada tipo na planilha, no Excel ou no Google Planilhas.
Comece pela pergunta
Antes de abrir o menu de gráficos, complete a frase: “Quero mostrar...”.
- Comparar valores entre categorias (qual produto vendeu mais?) pede colunas ou barras.
- Mostrar mudança ao longo do tempo (como evoluíram as vendas?) pede linhas.
- Mostrar partes de um todo (qual a parcela de cada canal?) pede pizza, com limites, ou barras empilhadas.
- Ver a relação entre duas variáveis (gasto em anúncio e vendas) pede dispersão.
Se o passo a passo para criar os gráficos é o que você precisa, vá para como fazer gráfico no Excel e no Planilhas. Aqui, o foco é escolher.
Colunas e barras
Colunas (verticais) e barras (horizontais) comparam categorias. São os gráficos mais seguros e mais fáceis de ler.
Use colunas quando:
- há poucas categorias com nomes curtos (meses, canais);
- o eixo horizontal tem uma sequência natural.
Use barras quando:
- os nomes das categorias são longos (nomes de produtos);
- há muitas categorias, porque o texto horizontal cabe melhor.
Dicas: ordene da maior para a menor barra, a menos que a ordem tenha sentido próprio (como os meses). Comece o eixo em zero, para que o tamanho das barras represente a proporção real. Evite 3D, que distorce a leitura.
Linhas
O gráfico de linhas é a escolha para tendências ao longo do tempo: vendas por mês, visitas por dia, peso por semana. A linha liga os pontos e dá a sensação de continuidade, que é o que você quer em dados temporais.
Cuidados:
- Poucas linhas por gráfico, no máximo quatro ou cinco. Mais que isso vira um emaranhado.
- Datas como datas de verdade, para o eixo se organizar sozinho.
- Para períodos irregulares, o gráfico de linhas com eixo de data respeita os intervalos.
- Em dados sazonais, como o pico de fim de ano, compare com o mesmo período do ano anterior em linhas separadas.
Não use linhas para categorias sem ordem natural, como produtos. A linha sugere continuidade que não existe.
Pizza e rosca
O gráfico de pizza mostra a divisão de um total. É popular, e mal usado com frequência. O olho humano compara mal ângulos e áreas, o que dificulta ver diferenças pequenas.
Use pizza quando:
- há de duas a cinco fatias;
- as fatias somam 100% de algo que faz sentido como todo;
- as diferenças são grandes.
Evite quando:
- há muitas fatias ou fatias parecidas;
- os valores não formam um total (por exemplo, notas de satisfação);
- você precisa comparar dois períodos.
Na dúvida, troque por barras ordenadas com a porcentagem escrita. Ficam mais claras. Se quiser pizza mesmo assim, coloque os rótulos de porcentagem direto nas fatias e agrupe as menores em “Outros”.
Colunas empilhadas e 100% empilhadas
Quando cada categoria se divide em partes, como vendas por mês divididas por canal, as colunas empilhadas mostram o total e a composição ao mesmo tempo. A versão 100% empilhada mostra só as proporções.
O limite: só dá para comparar bem a primeira parte (a de baixo), porque as demais não começam do mesmo ponto. Se o objetivo é comparar os canais entre si, use colunas agrupadas lado a lado ou um gráfico de linhas.
Dispersão
O gráfico de dispersão (ou XY) mostra pontos em dois eixos numéricos, e serve para ver se duas coisas andam juntas: investimento em anúncios e vendas, preço e quantidade vendida, horas de estudo e nota. Uma nuvem de pontos subindo da esquerda para a direita sugere relação positiva.
Atenção: relação não significa causa. Dois valores que sobem juntos podem ter um terceiro fator por trás. Use a dispersão para levantar hipóteses, não para provar conclusões.
Gráficos combinados
Um gráfico combinado mistura colunas e linhas, útil para duas medidas de escalas diferentes, como faturamento (colunas) e margem em porcentagem (linha, com eixo próprio). Use com moderação: dois eixos confundem quando mal explicados. Rotule claramente cada eixo.
Outros tipos úteis
- Gráfico de área: parecido com linhas, preenchido. Bom para mostrar volume acumulado, mas dificulta comparar séries sobrepostas.
- Histograma: mostra a distribuição de valores, como quantos pedidos caem em cada faixa de valor.
- Cascata: mostra como valores positivos e negativos levam de um total inicial a um final, comum em resultados financeiros. Disponível no Excel e, em formas semelhantes, no Planilhas.
- Minigráficos (sparklines): pequenos gráficos dentro de uma célula, ótimos para tendência ao lado de um número.
Boas práticas para qualquer gráfico
- Um gráfico, uma mensagem. Dê um título que diga a conclusão: “Shopee passou o Mercado Livre em março” é melhor que “Vendas por canal”.
- Poucas cores, com uma de destaque para o que importa.
- Rótulos legíveis e sem excesso de linhas de grade.
- Eixo honesto: zero na base em colunas e barras.
- Retire o que não ajuda: efeitos, sombras e 3D.
- Acessibilidade: não dependa só da cor; use rótulos diretos. Quem tem daltonismo agradece.
Se a base ainda está desarrumada, resumir primeiro com tabela dinâmica simplifica o gráfico.
Para decidir rápido
Comparar categorias: colunas ou barras. Evolução no tempo: linhas. Partes de um todo, poucas: pizza ou barra empilhada. Relação entre números: dispersão. Na dúvida, escolha barras ordenadas com título claro. É um gráfico simples que quase nunca engana e quase sempre convence.