Cada forma de pagamento muda três coisas ao mesmo tempo: quantos clientes concluem a compra, quanto sobra de cada venda e quão rápido o dinheiro chega. Por isso, não existe uma resposta única. Veja o que cada opção traz de bom e de ruim para quem vende e como montar uma combinação que funcione na sua loja.
Pix: rápido, barato e sem parcelamento
O Pix transfere o valor na hora, a qualquer dia e horário, e a loja recebe a confirmação em segundos. Isso permite liberar o pedido para separação sem esperar compensação.
Vantagens para a loja:
- confirmação imediata, ótima para quem despacha rápido;
- custo por venda geralmente menor que o do cartão, embora varie conforme o gateway de pagamento;
- dinheiro disponível mais cedo, em muitos casos no mesmo dia;
- sem risco de chargeback, que é a contestação da compra feita pelo titular do cartão.
Pontos de atenção:
- não parcela, o que pode reduzir a conversão em produtos de valor mais alto;
- o QR Code ou código copia e cola precisa ser fácil de usar no celular e ter prazo de validade claro;
- fraudes e falhas podem ser revertidas pelo Mecanismo Especial de Devolução, então guarde os comprovantes.
Outra vantagem é comercial: muitas lojas oferecem desconto para pagamento via Pix, já que a taxa costuma ser menor. A lei permite diferenciar o preço conforme o meio de pagamento, contanto que isso seja informado de modo claro.
Um cuidado importante: confirme o recebimento no painel do gateway ou no extrato do seu banco, e nunca apenas pela imagem de comprovante enviada pelo cliente. Existem comprovantes falsos, e liberar o produto antes de o dinheiro cair é uma porta aberta para prejuízo.
Cartão de crédito: mais vendas, mais custo
O cartão é a forma que mais converte quando o produto custa mais, porque o parcelamento cabe no bolso do cliente. Em contrapartida, tem o custo mais alto para o lojista.
- Taxa por transação: um percentual sobre o valor, cobrado pelo gateway e pelas operadoras de cartão. Muda conforme a bandeira, o número de parcelas e o contrato.
- Prazo de recebimento: o dinheiro costuma cair depois de algumas semanas, e receber antes (antecipação) tem custo adicional. Confirme o prazo no seu contrato.
- Parcelamento sem juros: para o cliente é sem juros, mas a loja paga o custo de parcelar, direta ou indiretamente. Embuta isso no preço.
- Chargeback: o cliente pode contestar a compra no banco emissor, e a loja pode perder o valor. Entenda como se proteger em chargeback na loja virtual.
Quando o cartão é recusado, nem sempre o problema é o cliente. O banco emissor pode ter bloqueado a compra por segurança, ou o limite pode ser insuficiente. Deixe a mensagem de recusa clara e ofereça, na mesma tela, a opção de tentar outro cartão ou pagar com Pix. Muitas vendas se recuperam assim, em segundos.
Cartão de débito é pouco usado em lojas virtuais e, em geral, só aparece quando o gateway oferece. A carteira digital de aplicativos de pagamento também pode entrar como complemento.
Boleto: ainda útil para parte do público
O boleto bancário atende quem não tem cartão de crédito ou não quer usá-lo na internet. Mas traz desafios:
- a compensação pode levar de um a três dias úteis depois do pagamento, atrasando a separação do pedido;
- muitos boletos são emitidos e nunca pagos, o que gera pedidos parados e estoque reservado à toa;
- há taxa por boleto emitido ou pago, dependendo do gateway;
- o cliente precisa pagar dentro do vencimento, e esse prazo deve ser curto (por exemplo, um a três dias) para não segurar o estoque.
Se você mantém o boleto, defina um prazo de cancelamento automático e envie lembrete antes do vencimento. E oriente o cliente a pagar apenas boletos enviados pelo e-mail ou pela área do pedido da loja, já que golpes com boletos falsos são comuns. O guia boleto falso: como conferir explica como se proteger.
Como escolher a combinação certa
Responda quatro perguntas:
- Qual o valor médio do pedido? Em pedidos altos, o parcelamento no cartão faz diferença. Em pedidos pequenos, o Pix costuma bastar.
- Quem é o seu cliente? Públicos com menos acesso a cartão pedem Pix e boleto. Públicos que parcelam muito pedem mais opções de cartão.
- Qual a sua margem? Taxas mais altas exigem preço que as comporte. Veja como calcular o preço de venda com todas as taxas embutidas.
- Qual a velocidade de despacho? Se você promete envio no mesmo dia, o Pix e o cartão aprovado se encaixam melhor que o boleto.
Para a maioria das lojas pequenas, a combinação mais segura é Pix e cartão de crédito, com boleto como extra opcional. Quem vende produtos de valor baixo e recorrente, como itens de consumo, costuma se beneficiar de incentivar o Pix. Quem vende itens caros, como eletrônicos ou móveis, precisa do parcelamento no cartão para não perder o cliente na última tela. E quem atende empresas pode precisar também de faturamento, com pagamento combinado em prazo, algo que o gateway nem sempre resolve.
Como mostrar as opções na loja
Mostrar bem é quase tão importante quanto oferecer.
- Coloque os ícones das formas de pagamento no rodapé e na página do produto.
- Exiba o valor no Pix e o valor parcelado perto do preço, sem esconder condições.
- Informe se o parcelamento tem juros e a partir de qual valor ele é liberado.
- Na tela de pagamento, deixe a forma mais barata para você em destaque, mas sem esconder as demais.
Revise esses pontos junto com o checkout da loja virtual, porque pagamento e checkout andam juntos.
Por onde começar
Peça ao gateway a tabela completa de taxas e prazos de cada forma de pagamento e simule um pedido médio da sua loja em cada uma delas. Veja quanto sobra no fim, por meio de pagamento. Depois de algumas semanas, olhe a distribuição real: que parte dos pedidos vem de Pix, cartão e boleto. Se uma opção quase não é usada e gera trabalho, como o boleto, considere removê-la. Se uma forma concentra a maioria dos pedidos, vale incentivá-la com benefícios claros, como desconto ou frete mais barato, sempre dentro da margem.