A função SE é a base de quase toda planilha que “toma decisões”: marcar um pedido como atrasado, aprovar ou reprovar um aluno, calcular comissão só para quem bateu a meta. Ela funciona igual no Excel e no Google Planilhas. Veja como escrever, como combinar vários testes e os erros que mais aparecem.
O que a função SE faz
O SE faz uma pergunta que só pode ter duas respostas, verdadeiro ou falso, e mostra um resultado diferente para cada uma. Em inglês, o nome é IF. A estrutura é:
=SE(teste_lógico; valor_se_verdadeiro; valor_se_falso)
Por exemplo, se a nota está em B2 e a média para passar é 7:
=SE(B2>=7;"Aprovado";"Reprovado")
Se B2 for 7 ou mais, a célula mostra Aprovado. Caso contrário, mostra Reprovado.
Os operadores de comparação
O teste lógico usa estes símbolos:
- = igual a
- <> diferente de
- > maior que
- < menor que
- >= maior ou igual a
- <= menor ou igual a
Textos vão entre aspas duplas, como em =SE(C2="Pago";"OK";"Cobrar"). Números e referências de células não levam aspas. O Excel não diferencia maiúsculas de minúsculas na comparação de texto, então “pago” e “PAGO” contam como iguais.
O resultado também pode ser uma conta. Em =SE(B2>1000;B2*0,1;0), quem vendeu mais de mil recebe 10% do valor como comissão e os demais recebem zero.
Uma boa forma de conferir se a fórmula faz sentido é lê-la em voz alta: “se a nota for maior ou igual a 7, mostre Aprovado; senão, mostre Reprovado”. Se a frase não faz sentido, a fórmula também não vai fazer. No Excel, vale clicar em Fórmulas e depois em Avaliar Fórmula para ver a conta sendo resolvida passo a passo, o que ajuda a achar onde o teste falha. O nome do botão pode variar conforme a versão.
SE com E e OU: mais de uma condição
Quando a decisão depende de duas ou mais coisas, use E e OU dentro do teste:
- E: todas as condições precisam ser verdadeiras. Exemplo: =SE(E(B2>=7;C2>=75);"Aprovado";"Reprovado") aprova só quem tem nota 7 ou mais e frequência de 75% ou mais.
- OU: basta uma ser verdadeira. Exemplo: =SE(OU(D2="VIP";B2>500);"Frete grátis";"Frete normal").
Dá para misturar os dois, mas, se a fórmula começar a ficar confusa, divida em colunas auxiliares. Uma coluna calcula a frequência, outra compara com a meta, e a última só junta o resultado.
SE dentro de SE e a função SES
Quando existem mais de duas respostas possíveis, um SE pode ficar dentro de outro. Por exemplo, para classificar uma nota em A, B ou C:
=SE(B2>=9;"A";SE(B2>=7;"B";"C"))
O Excel lê da esquerda para a direita e para no primeiro teste verdadeiro. Por isso, a ordem importa: comece pelo critério mais exigente. Se você inverter e testar primeiro B2>=7, quem tirou 9 também cai no B.
Nas versões mais novas existe a função SES (IFS em inglês), que evita o “SE dentro de SE”:
=SES(B2>=9;"A";B2>=7;"B";VERDADEIRO;"C")
Cada par é um teste seguido do resultado. O VERDADEIRO no final funciona como “em todos os outros casos”. O SES existe no Excel 2019, no Microsoft 365 e no Google Planilhas, mas não em versões mais antigas.
Para listas longas, como faixas de comissão, é mais organizado criar uma pequena tabela com as faixas e usar o PROCV com busca aproximada. A explicação está em PROCV e PROCX.
Exemplos para o dia a dia
- Prazo vencido: =SE(HOJE()>C2;"Atrasado";"No prazo"). A função HOJE traz a data atual e se atualiza sozinha a cada vez que a planilha abre.
- Célula em branco: =SE(A2="";"";B2*C2) só calcula quando a linha tem dados e evita zeros soltos na tabela.
- Meta do mês: =SE(SOMA(B2:B31)>=20000;"Meta batida";"Abaixo da meta").
- Estoque baixo: =SE(D2<=E2;"Repor";"OK"), comparando a quantidade atual com o estoque mínimo.
- Tratar erro: =SEERRO(B2/C2;0) troca um erro de divisão por zero por um número, o que ajuda quando a célula alimenta outras contas.
- Texto que contém uma palavra: o SE sozinho compara a célula inteira. Para checar se uma parte do texto aparece, combine com PESQUISAR e É.NÚM, como em =SE(É.NÚM(PESQUISAR("urgente";A2));"Prioridade";"Normal").
- Conferir duas colunas: =SE(A2=B2;"Igual";"Diferente") serve para comparar duas listas, como a de pedidos feitos e a de pedidos entregues.
- Situação do aluno com vários resultados: use o SE para a primeira decisão e outro SE, ou um SES, para o restante. Cada resultado novo é mais uma linha de teste.
Essas fórmulas mudam pouco entre o Excel e o Google Planilhas. A diferença mais comum é o separador dos argumentos, que depende da configuração regional.
Erros comuns e como corrigir
- #NOME?: texto sem aspas ou nome de função errado. Confira se o resultado em palavras está entre aspas duplas.
- Fórmula aparece como texto: a célula pode estar formatada como Texto ou o sinal de igual ficou com um apóstrofo na frente. Veja as causas em fórmula do Excel não calcula.
- Resultado sempre falso: o número pode estar salvo como texto. Se a célula alinha à esquerda e mostra um triângulo verde, converta para número.
- Parênteses faltando: cada abre-parênteses precisa de um fecha-parênteses. O Excel destaca os pares com cores enquanto você digita.
- Separador: em computadores configurados em português do Brasil, os argumentos se separam com ponto e vírgula. Em outras configurações regionais, a vírgula pode ser a certa.
Como treinar
Abra uma planilha em branco, digite dez notas e escreva o primeiro SE da lista. Depois troque o teste por E, depois por um SE aninhado. Errar em dados de teste é a forma mais rápida de entender a lógica. Para formatar o resultado de modo que “Atrasado” fique em vermelho sozinho, veja a formatação condicional e, para somar apenas o que atende a um critério, o guia de SOMASE e CONT.SE.