A fonte de alimentação é a peça que ninguém vê, mas da qual todo o computador depende. Ela converte a energia da tomada nas tensões que processador, placa de vídeo, SSD e placa-mãe precisam. Uma fonte ruim pode causar desligamentos misteriosos e, no pior caso, queimar outras peças. Veja como escolher a potência e a qualidade certas.
Quantos watts você precisa
A potência da fonte é medida em watts (W). O truque é não comprar nem de menos, nem de muito mais do que precisa. O consumo de um PC é puxado principalmente por dois componentes: o processador e a placa de vídeo. Os demais (memória, SSD, ventoinhas) gastam pouco.
Uma forma prática de calcular:
- Veja, na ficha técnica do processador e da placa de vídeo, o consumo máximo informado pelo fabricante.
- Some um valor para o restante do sistema (placa-mãe, memória, discos e ventoinhas).
- Acrescente uma folga de 20% a 30%, para a fonte não trabalhar sempre no limite.
Muitos fabricantes de placa de vídeo já indicam a potência de fonte recomendada para o PC como um todo, e essa é uma referência segura. Há também calculadoras de potência em sites de fabricantes de fontes, úteis para conferir o seu resultado.
Para um PC de escritório com vídeo integrado, uma fonte de potência modesta basta. Para um computador com placa de vídeo dedicada potente, a fonte pesa mais no orçamento e precisa de mais folga. Os cuidados com essa peça estão em placa de vídeo: como escolher.
O que significa 80 Plus
A certificação 80 Plus indica a eficiência da fonte, ou seja, quanto da energia da tomada ela entrega às peças sem transformar em calor. Quanto mais eficiente, menos calor e menos desperdício na conta de luz. Os níveis, do mais simples ao mais exigente, são:
- 80 Plus (padrão);
- Bronze;
- Silver (prata);
- Gold (ouro);
- Platinum (platina);
- Titanium (titânio).
O selo mede eficiência, não é sinônimo absoluto de qualidade. Ainda assim, ele costuma indicar que a fonte passou por testes e tem projeto mais cuidadoso. Para a maioria dos PCs, uma fonte Bronze ou Gold de marca conhecida é uma ótima escolha. Os níveis mais altos custam mais e só compensam, em geral, em computadores que ficam muito tempo sob carga.
Potência real e fonte genérica
Esta é a armadilha mais comum. Algumas fontes baratas exibem na caixa uma potência impressionante, mas é uma potência de pico ou até inventada. Na prática, entregam bem menos e não aguentam carga contínua.
Sinais de alerta:
- caixa que só fala em “potência máxima” ou “pico”, sem informar a potência real (contínua);
- peso muito baixo para a potência anunciada, o que indica componentes internos pequenos;
- preço muito abaixo do praticado por marcas conhecidas;
- ausência de certificação e de lista de proteções.
Prefira marcas conhecidas, com garantia nacional e especificações completas no site do fabricante.
Conectores e padrão da fonte
Antes de comprar, confira se a fonte tem os conectores que as suas peças pedem:
- 24 pinos: alimenta a placa-mãe.
- Conector de CPU (4+4 ou 8 pinos): alimenta o processador.
- PCIe (6+2 pinos): alimenta a placa de vídeo. Algumas placas pedem dois ou três desses conectores, e as mais recentes têm um conector próprio, de outro formato.
- SATA e Molex: alimentam SSDs, HDs e alguns acessórios.
O tamanho padrão mais comum é o ATX. Gabinetes pequenos podem exigir formatos menores. Confira o manual do gabinete antes.
Fonte modular, semimodular ou fixa
- Fixa: todos os cabos já estão ligados. É a mais simples e barata, mas sobra cabo dentro do gabinete.
- Semimodular: os cabos principais são fixos e os extras são removíveis.
- Modular: todos os cabos são encaixados conforme a necessidade. Organiza melhor o interior e melhora a circulação de ar, mas custa mais.
Para quem vai montar o próprio computador, a modular ajuda na organização. Se você quer ver como os cabos são ligados na prática, veja como montar um PC passo a passo.
Cuidados com tensão e proteções
No Brasil convivem as tensões de 110 V e 220 V. Muitas fontes atuais são bivolt automáticas e se ajustam sozinhas. Outras têm uma chave seletora na traseira. Se a sua fonte tem a chave, ela deve estar na posição da tensão da tomada, ou a fonte pode queimar. Confira antes de ligar.
Procure também por fontes com proteções contra sobretensão, sobrecorrente e curto-circuito. Elas aparecem nas especificações.
Como saber a potência da fonte que você já tem
Se o PC já existe, a potência fica na etiqueta lateral da fonte, que você vê abrindo o gabinete. Procure o campo de potência total ou de potência combinada nas saídas de 12 V, que é a que mais importa para o processador e a placa de vídeo. Se a etiqueta estiver apagada, anote o modelo e consulte o site do fabricante. Em PCs de marca, a fonte costuma ser de formato próprio e de potência modesta, e nem sempre aceita uma placa de vídeo mais potente sem troca.
Quando trocar a fonte
Mesmo uma boa fonte envelhece. Pense em trocar nestes casos:
- o PC desliga ou reinicia sozinho sob carga;
- você instalou uma placa de vídeo mais potente;
- a fonte faz barulho alto, cheira a queimado ou esquenta demais;
- o computador não liga e as outras peças já foram descartadas.
Se o PC não liga, a fonte é uma das primeiras suspeitas, mas há outras causas. Veja o roteiro em PC não liga: o que fazer.
Resumo prático
Defina as peças, calcule o consumo, some 20% a 30% de folga e escolha uma fonte de marca conhecida, com 80 Plus, proteções e os conectores corretos. Compre pensando em durar vários anos e em aceitar um upgrade de placa de vídeo no futuro. Mais guias de hardware estão na categoria Computadores.