Poucas peças do computador geram tanta dúvida e tanto gasto desnecessário quanto a placa de vídeo. É fácil pagar por mais potência do que você usa, ou comprar uma placa que não funciona direito com a fonte e o gabinete que você tem. Aqui estão os critérios para decidir se você precisa de uma e como escolher a certa.
Integrada ou dedicada
A placa de vídeo integrada (iGPU) fica dentro do processador e usa a memória RAM do computador. Dá conta de navegar, assistir vídeos em alta resolução, trabalhar com documentos e rodar jogos leves.
A placa de vídeo dedicada é uma peça própria, com chip e memória exclusivos. Ela custa mais, consome mais energia e esquenta mais, mas rende muito mais em:
- jogos modernos;
- edição de vídeo e animação;
- modelagem 3D e renderização;
- alguns programas de inteligência artificial e de design.
Se o seu uso é escritório e estudo, não gaste com placa dedicada. Se mexe com jogos ou vídeo, ela é o item que mais muda a experiência.
As três fabricantes: NVIDIA, AMD e Intel
Hoje há três marcas de placas dedicadas:
- NVIDIA (GeForce): forte em jogos e em programas profissionais que usam a tecnologia CUDA para acelerar tarefas.
- AMD (Radeon): boa relação entre desempenho e preço em muitos modelos, e competitiva em jogos.
- Intel (Arc): linha mais recente, que busca espaço nas faixas de entrada e intermediária.
Cada marca tem recursos próprios para melhorar a imagem e o desempenho, como o DLSS (NVIDIA), o FSR (AMD) e o XeSS (Intel). Eles redesenham a imagem em resolução menor para ganhar quadros por segundo. Vale conferir se os jogos que você usa suportam o recurso da marca que está considerando.
Não existe uma marca melhor para todos. O que existe é um modelo melhor, naquele momento, para o seu bolso e o seu uso. Compare sempre placas de faixa parecida em testes independentes.
Memória de vídeo (VRAM)
A VRAM é a memória da própria placa. Ela guarda texturas, imagens e dados que a placa está usando. Pouca VRAM faz o jogo travar ou obriga a baixar a qualidade, mesmo que o chip seja bom.
Como referência geral, que pode mudar com o tempo e conforme o jogo:
- Resolução Full HD (1080p): a maioria dos jogos se dá bem com um nível intermediário de VRAM.
- Resolução QHD (1440p): pede um pouco mais.
- Resolução 4K: é onde mais memória faz diferença, junto com uma placa mais potente.
Para edição de vídeo e 3D, mais VRAM também ajuda com projetos grandes. Em vez de decorar números, veja as recomendações do jogo ou do programa que você mais usa e o que os testes de cada modelo mostram na sua resolução.
Escolha pela resolução e pelo monitor
Uma placa potente demais para um monitor simples é desperdício, e uma fraca demais para um monitor de alta resolução é frustração. Pense no conjunto:
- Monitor Full HD de 60 Hz: uma placa de nível intermediário já entrega boa experiência na maioria dos jogos.
- Monitor de alta taxa de atualização (144 Hz ou mais): a placa precisa entregar muitos quadros por segundo para valer a pena.
- Monitor 1440p ou 4K: exige uma placa mais forte. Veja também como escolher um monitor para casar as duas peças.
O que conferir antes de comprar
Uma placa de vídeo precisa caber e ter energia para funcionar. Confira:
- Fonte: veja a potência recomendada pelo fabricante da placa e os conectores de energia que ela exige. Alguns modelos pedem cabos específicos de 6, 8 ou mais pinos. Detalhes em fonte do PC: como escolher a potência.
- Tamanho: placas longas e grossas podem não caber em gabinetes menores. Meça o espaço livre ou consulte as medidas do gabinete.
- Slot na placa-mãe: as placas usam o slot PCI Express (PCIe) de maior tamanho, o x16. Quase toda placa-mãe de PC de mesa tem um.
- Processador: um processador muito fraco limita uma placa potente. Procure equilibrar as duas peças.
- Saídas de vídeo: verifique se a placa tem as portas do seu monitor (HDMI ou DisplayPort).
- Ventilação do gabinete: uma placa potente gera calor. Um gabinete com fluxo de ar ruim faz o desempenho cair.
Placa de vídeo usada: vale o risco?
Uma placa usada pode ser uma ótima economia, mas exige cuidado. Os principais riscos são desgaste da ventoinha, pasta térmica seca e defeitos escondidos. Se for comprar usada:
- peça para ver a placa rodando um jogo ou teste de estresse por alguns minutos;
- observe a temperatura, artefatos na tela (pontos, listras, cores estranhas) e o barulho das ventoinhas;
- prefira vendedores com nota fiscal ou garantia, e desconfie de preço muito abaixo do mercado, que pode ser golpe.
Mitos comuns sobre placa de vídeo
- “Mais VRAM sempre é melhor”: só ajuda se o chip for capaz de aproveitar. Uma placa fraca com muita memória continua fraca.
- “Placa de vídeo cara garante mais FPS em qualquer PC”: o processador, a memória RAM e o monitor também limitam o resultado.
- “Preciso do modelo mais novo”: modelos da geração anterior, em bom estado e com preço melhor, muitas vezes atendem.
- “Toda placa serve para edição”: os programas aproveitam recursos específicos de cada marca. Verifique a compatibilidade com os seus programas.
Como decidir sem se perder
- Defina o uso: escritório, jogos, edição.
- Defina a resolução e a taxa de atualização do monitor.
- Escolha duas ou três placas da faixa certa e compare testes independentes.
- Confira fonte, espaço no gabinete e portas de vídeo.
- Compare o valor final, incluindo eventual troca de fonte.
Se você ainda usa o vídeo integrado e sente que falta desempenho, lembre que nem sempre o problema é a placa: ajustar a qualidade gráfica e atualizar os drivers pode resolver antes de gastar. Para continuar por dentro de peças e compras, visite a categoria Computadores.