Ao contratar internet, a primeira pergunta costuma ser “quantos megas?”. Mas a tecnologia que traz a internet até a sua casa pesa tanto quanto a velocidade, porque define estabilidade, atraso e o que acontece em dias de chuva. Veja como cada uma funciona e como decidir.
Fibra óptica
A fibra óptica transmite dados por pulsos de luz dentro de um fio fino de vidro ou plástico. Quando o cabo chega até dentro do imóvel, a tecnologia é chamada de FTTH (fibra até a residência).
Pontos fortes:
- conexão muito estável;
- baixo atraso (latência), bom para jogos e videochamadas;
- velocidade de envio (upload) alta, em muitos planos parecida com a de download;
- pouca sensibilidade a chuva e interferência elétrica.
Cuidados:
- o cabo de fibra que entra na casa é frágil e não pode ser dobrado em ângulo fechado;
- não está disponível em todos os endereços, principalmente em áreas afastadas.
Se há fibra no seu endereço, ela costuma ser a melhor escolha. Pergunte se a fibra vai até a casa ou só até um ponto próximo; em alguns planos a chegada final é por cabo coaxial, e o desempenho muda.
Internet a cabo e ADSL
Internet a cabo
A internet a cabo usa a rede de cabos coaxiais, os mesmos da TV por assinatura. O modem é diferente do de fibra e costuma ter siglas como DS e US nas luzes.
Pontos fortes: boa velocidade de download e ampla disponibilidade em cidades que têm TV a cabo.
Pontos fracos: o upload costuma ser bem menor que o download, e a rede é compartilhada entre os vizinhos do mesmo bairro, o que pode causar lentidão em horários de pico.
Para o uso comum de uma casa, como streaming, redes sociais e trabalho remoto, pode atender bem. Vale testar o desempenho nos horários de maior movimento, por exemplo à noite, para ver se a rede compartilhada do bairro segura a velocidade contratada.
ADSL e linha telefônica
O ADSL usa a linha de telefone de cobre. É uma tecnologia mais antiga, com velocidades bem menores e sensibilidade à distância até a central. Em muitos lugares foi substituída pela fibra. Se é sua única opção, serve para uso leve, mas é difícil recomendá-la para quem assiste a vídeos em alta resolução ou faz videochamadas em casa.
Internet por rádio
Na internet por rádio, uma antena instalada no telhado da casa se comunica com uma torre do provedor. É muito usada em cidades pequenas e na zona rural, e atende bem quando a fibra não chega.
Pontos fortes:
- chega onde cabo e fibra não chegam;
- instalação relativamente rápida.
Cuidados:
- precisa de visada, isto é, linha reta sem obstáculos entre sua antena e a torre;
- árvores, prédios novos e chuva forte podem afetar o sinal;
- a qualidade depende muito do provedor, da capacidade da torre e do número de clientes ligados a ela.
Antes de assinar, pergunte a vizinhos que usam o mesmo provedor como é a estabilidade nos horários de pico e em dia de chuva. Pergunte também quem faz a manutenção da antena e quanto tempo o provedor costuma levar para atender chamados, porque em cidades pequenas esse prazo faz diferença no dia a dia.
Satélite
O satélite atende lugares sem outra opção, como sítios, fazendas e áreas remotas. Existem dois grandes tipos:
- Satélites geoestacionários, de órbita alta: cobrem grandes áreas, mas o sinal leva mais tempo para ir e voltar, o que gera atraso alto. Funcionam para navegação e vídeo, mas sofrem em jogos e reuniões.
- Constelações de órbita baixa, como a Starlink, citada aqui só como exemplo: o atraso é bem menor e a experiência se aproxima da banda larga comum, embora o clima e obstáculos no céu ainda possam interferir.
Confira com o fornecedor a disponibilidade para o seu endereço, as condições do plano e se há limite de uso. Os planos e as regras mudam com frequência.
Internet 4G e 5G em roteador fixo
Alguns planos usam a rede de celular para atender casas, com um roteador que recebe chip. É uma alternativa onde não há fibra, e a experiência depende muito do sinal do local. Muitos planos têm franquia (limite de dados no mês). Se a casa tem vários usuários e consome muito vídeo, pode estourar rápido. Para saber mais sobre as redes móveis, veja 5G ou 4G: o que muda e vale a pena.
Como comparar de verdade
Na hora de escolher, compare estes pontos:
- Disponibilidade no seu endereço. Consulte pelo CEP e número, no site ou no atendimento das operadoras. Quase sempre a escolha se resume ao que está disponível.
- Estabilidade. Fibra é a mais estável, seguida por cabo e rádio bem instalado.
- Atraso (latência). Importante para jogos e chamadas. Fibra e cabo costumam ir bem; satélite geoestacionário vai mal.
- Upload. Importa para backup na nuvem, câmeras, lives e envio de arquivos grandes.
- Contrato. Fidelidade, taxa de instalação, equipamento em comodato e reajuste.
- Reputação do provedor. Pesquise a opinião de vizinhos e as reclamações registradas em canais oficiais.
E quantos megas contratar?
Depois de escolher a tecnologia, falta decidir a velocidade. Em vez de olhar só para o número, pense em quantas pessoas usam a rede ao mesmo tempo e o que fazem. O guia quantos megas eu preciso na internet de casa ajuda nessa conta.
Se você já tem internet e está insatisfeito, antes de trocar de tecnologia veja se o problema não está em casa. Reveja internet lenta: o que fazer e, se decidir mudar, siga o passo a passo de como trocar de provedor de internet.
Resumo prático: se tem fibra até a casa, comece por ela. Se não tem, compare cabo e rádio na sua rua, pergunte aos vizinhos e deixe satélite e 4G ou 5G para quando nada mais chegar.