Entregar bem é metade da venda online. O comprador não liga muito para quem transporta, mas liga muito para o prazo, para o preço do frete e para o produto chegar inteiro. Escolher entre Correios e transportadora é uma decisão que depende de peso, tamanho, destino e volume. Veja como comparar e quando cada opção costuma funcionar.
O que muda entre as duas opções
Correios são a opção mais conhecida. Têm cobertura em praticamente todo o território e serviços padronizados, como PAC e SEDEX. Costumam atender bem encomendas pequenas e médias, sobretudo para o consumidor final.
Transportadoras são empresas privadas de transporte de cargas. Algumas atuam no país inteiro, outras em regiões específicas. Em geral, são mais indicadas para volumes maiores, produtos pesados ou volumosos, e cargas que exigem coleta no endereço da loja.
Existem ainda caminhos intermediários: o frete do próprio marketplace, em que a plataforma contrata o transporte e você só posta ou entrega para coleta, e os comparadores de frete, que reúnem várias opções em um só lugar. Cada um tem regras e custos próprios.
Quando os Correios costumam funcionar bem
- Produtos pequenos e leves, que cabem em caixa ou envelope padronizado.
- Entregas para cidades pequenas e regiões afastadas, onde a cobertura dos Correios costuma ser mais completa.
- Vendedores com baixo volume, que não conseguem negociar tabela com transportadoras.
- Situações em que o cliente quer opção conhecida e rastreio simples.
Pontos de atenção:
- Há limites de peso e dimensões para cada serviço. Confira as regras atuais antes de apostar em um tamanho de caixa.
- O valor depende do peso real ou do peso cubado, o que for maior. O assunto é detalhado em como embalar produtos para envio.
- Seguro e valor declarado são opcionais em alguns serviços. Para produtos de maior valor, vale avaliar.
- Quem tem contrato com os Correios pode ter condições diferentes de quem posta no balcão, então vale conversar com a agência.
Quando a transportadora faz mais sentido
- Produtos grandes, pesados ou frágeis, como móveis, equipamentos e eletrodomésticos.
- Muitos pedidos por dia, que justificam coleta no seu endereço.
- Cargas com valor alto, em que o seguro e a rastreabilidade especial pesam.
- Quando você consegue negociar tabela por região e peso.
Pontos de atenção:
- A cobrança costuma considerar peso, cubagem, valor da mercadoria e destino. A conta é diferente da dos Correios, então simule com pedidos reais.
- Pode haver taxas adicionais, como para áreas de difícil acesso. Peça a lista completa antes de fechar.
- É comum exigir documento fiscal acompanhando a carga.
- O prazo e a qualidade variam muito entre transportadoras e regiões. Pesquise a reputação e teste.
Como comparar de forma justa
Pegue de três a cinco produtos típicos da sua loja e simule o frete em cada opção para algumas cidades diferentes, como uma capital próxima, uma capital distante e uma cidade pequena. Anote, para cada simulação:
- Custo do frete para o seu cliente e para você, se absorver parte.
- Prazo estimado de entrega.
- Exigências de embalagem, peso e documento.
- Seguro e indenização em caso de dano ou extravio.
- Rastreamento: se é fácil de acompanhar e se atualiza com frequência.
- Coleta ou postagem: onde e quando você precisa levar ou receber o motorista.
Com a planilha pronta, escolha o que dá a melhor combinação de preço, prazo e segurança para cada tipo de produto. Não precisa usar o mesmo serviço para tudo.
Prazo prometido e prazo real
O prazo que aparece na simulação costuma contar a partir da postagem, e não da compra. Some a ele o tempo que você leva para separar, embalar, emitir nota e levar o pacote até o ponto de envio. Para o cliente, o prazo de verdade começa quando ele paga.
Por isso, anote nos primeiros vinte envios a data da compra, a data da postagem e a data da entrega de cada pedido. Compare com o que foi prometido no anúncio. Se o prazo real está sempre acima do prometido, ajuste a promessa antes que ela vire reclamação.
Quem paga o frete?
Esta é uma decisão de preço, não de logística. Algumas formas comuns:
- Cliente paga o frete cheio, com preço do produto mais baixo.
- Frete grátis acima de um valor, para incentivar compras maiores.
- Frete embutido no preço, que simplifica a oferta, mas exige cálculo cuidadoso.
Seja qual for a escolha, o frete precisa entrar na conta do preço, como mostra o guia de como calcular o preço de venda. Vender com frete grátis sem ter calculado é um dos erros mais comuns de quem começa.
Mantenha um plano B
Greves, feriados, problemas climáticos e picos de fim de ano podem atrasar qualquer operação. Tenha pelo menos duas opções de envio cadastradas e um jeito de avisar o cliente quando houver atraso. As etiquetas também precisam estar corretas para não perder tempo, como explica o artigo etiqueta de envio: como imprimir, colar e evitar extravio.
Por onde começar
Escolha seus três produtos mais vendidos, simule o frete nas duas opções para três destinos e compare o resultado. Depois, faça um teste com cinco ou dez pedidos reais em cada opção e anote prazos, problemas e custo final. Em poucas semanas você terá dados próprios para escolher com segurança.