A pergunta “o que eu vendo?” trava muita gente antes mesmo de abrir a conta no marketplace. O erro mais comum é escolher pelo gosto pessoal ou porque o produto parece bom, sem olhar os números. A boa notícia é que dá para tomar essa decisão com um roteiro curto, e o resultado costuma ser bem menos arriscado do que “apostar” em um lote.
Critério 1: existe procura de verdade?
Produto sem procura não vende, por melhor que seja o anúncio. Antes de pensar em fornecedor, confirme que as pessoas buscam aquilo.
- Busca nos marketplaces: digite o nome do produto na barra de busca e veja as sugestões que aparecem. Elas mostram o que as pessoas realmente procuram.
- Volume de vendas dos anúncios: muitos marketplaces exibem a quantidade vendida. Anúncios com vendas recentes indicam demanda viva.
- Procura ao longo do ano: a ferramenta gratuita Google Trends mostra se a busca é estável, está crescendo ou só aparece em certas épocas.
Se a procura existe só em uma época, você está diante de um produto sazonal. Isso não é ruim, mas muda o planejamento de compra.
Critério 2: quanta concorrência você enfrenta?
Procura alta atrai muita gente. Olhe os anúncios da primeira página e responda:
- Quantos vendedores oferecem exatamente o mesmo produto?
- Eles têm muitas avaliações e boa reputação?
- Existe um vendedor dominando com preço impossível de acompanhar?
Um produto com muitos vendedores não está descartado, mas você precisa de um motivo para ser escolhido: preço de compra melhor, kit diferente, entrega mais rápida, descrição melhor. Veja como lidar com isso em como competir com lojas grandes no marketplace sendo pequeno.
Critério 3: a margem sobrevive às taxas?
Esse é o filtro que mais elimina produtos. Não basta o preço de venda ser maior que o de compra. Do preço final saem a comissão do marketplace, taxas fixas, frete que você paga, embalagem, imposto e eventuais devoluções.
Faça a conta antes de comprar:
- Anote o preço pelo qual você vende (o que os concorrentes praticam).
- Subtraia as taxas do canal. O guia de taxas de marketplace e como incluir no preço mostra o que costuma ser cobrado.
- Subtraia frete, embalagem e imposto.
- Subtraia o custo de compra do produto.
- O que sobrar é a margem real. Se for pequena demais, um único problema (uma devolução, um desconto) apaga o lucro.
Para fechar o preço com fórmula, use como calcular o preço de venda de um produto.
Critério 4: é fácil de enviar?
Dois produtos com a mesma margem podem ter resultados bem diferentes se um deles quebra no transporte ou ocupa uma caixa enorme. Considere:
- Peso e tamanho: quanto maior, mais caro o frete e maior o espaço de estoque.
- Fragilidade: vidro, cerâmica e eletrônicos delicados pedem embalagem reforçada e geram mais reclamações.
- Variações: muitos tamanhos e cores exigem mais estoque parado para atender a mesma procura.
- Devolução: itens em que o cliente erra a escolha (tamanho, voltagem, compatibilidade) devolvem mais.
Nos artigos sobre produtos arriscados para vender online e como embalar produtos para envio você encontra exemplos práticos desses pontos.
Critério 5: dá para começar com o seu dinheiro?
Barreira de entrada é o quanto você precisa investir e saber para começar. Um produto com lote mínimo alto, exigência de certificação ou necessidade de capital grande não serve para quem está testando o primeiro mês.
Pergunte-se:
- Consigo comprar pouca quantidade sem perder muito no preço?
- Preciso de licença, certificação ou autorização para vender isso?
- Se não vender, consigo escoar o estoque por outro caminho?
Como montar sua lista de candidatos
Em vez de analisar um produto por vez, monte uma lista com cinco a dez candidatos e dê uma nota simples de 1 a 5 em cada critério, numa planilha. Some as notas. O produto com maior soma não é garantia de sucesso, mas é um ponto de partida muito mais seguro do que a intuição.
Algumas regras práticas ajudam a refinar a lista:
- Prefira itens que o cliente compra de novo (consumo) ou que combinam com outros produtos da loja.
- Desconfie de produto “da moda” que só aparece por causa de um vídeo viral. O pico passa rápido.
- Evite começar por produtos que você nem sabe explicar. Quem entende do que vende responde melhor às perguntas e erra menos na descrição.
Um exemplo de decisão
Imagine três candidatos: um organizador de gavetas, um acessório de celular muito comum e um produto de cozinha de uso diário. O organizador tem procura constante, poucos vendedores bem estruturados, é leve e quase não gera devolução. O acessório de celular tem procura enorme, mas centenas de anúncios iguais e margem mínima. O produto de cozinha tem boa margem, mas é frágil e pede embalagem cara.
Pelos cinco critérios, o organizador ganha nota alta em quase tudo, o acessório perde em concorrência e margem, e o item de cozinha perde em logística. Isso não quer dizer que os outros dois sejam impossíveis. Quer dizer que, para um primeiro lote com dinheiro limitado, o organizador é a aposta mais segura.
Repare que a decisão não dependeu de “gostar” do produto. Dependeu de números simples, que qualquer pessoa consegue levantar em uma tarde.
Próximo passo
Escolha três candidatos da sua lista e faça a conta de margem de cada um com os preços reais dos anúncios. Depois, compre uma quantidade pequena do melhor deles para testar, seguindo o método de como testar um produto novo com pouco estoque. Se quiser ver mais guias para quem está começando, visite a categoria de e-commerce.