Essa é uma das perguntas mais difíceis do começo. Se você cobra pouco, trabalha demais por quase nada. Se cobra muito sem base, perde a conversa. Não existe valor universal, mas existe um método para chegar ao seu, com mais segurança.
Por que não existe tabela única
O preço de uma publi depende de muitos fatores ao mesmo tempo: nicho, qualidade do conteúdo, engajamento, tipo de produto, urgência, quantidade de entregas e o que a marca quer fazer com o material. Dois perfis com o mesmo número de seguidores podem cobrar valores bem diferentes.
Tabelas encontradas na internet ajudam como ideia de ordem de grandeza, mas ficam desatualizadas rápido e ignoram o seu contexto. O caminho mais seguro é calcular de baixo para cima.
Passo 1: calcule o seu custo de trabalho
Comece pelo seu tempo e custos reais. Liste tudo que uma publi exige:
- reunião e alinhamento com a marca;
- roteiro e planejamento;
- gravação, com preparação de cenário e equipamento;
- edição;
- ajustes pedidos pela marca;
- publicação e interação com os comentários;
- relatório de resultados.
Estime as horas totais e multiplique pelo valor da sua hora de trabalho. Se não sabe qual é, calcule quanto precisa ganhar por mês e divida pelas horas que consegue trabalhar. Some custos diretos, como locação, assistente, material e impostos.
Esse total é o seu piso: abaixo dele, você paga para trabalhar.
Passo 2: acrescente o valor do alcance e do público
Além do trabalho, a marca compra acesso a um público qualificado. Considere:
- Alcance e visualizações médias dos seus conteúdos, que você vê nas estatísticas.
- Engajamento e confiança: públicos que interagem e seguem recomendações valem mais.
- Afinidade com o produto: se seu público é exatamente o que a marca procura, seu preço pode subir.
- Formato: vídeo elaborado, série, evento ou stories simples têm esforços e valores diferentes.
Mantenha os dados no seu mídia kit para sustentar a proposta.
Passo 3: considere uso de imagem e exclusividade
Dois itens aumentam o valor e muitas vezes são esquecidos:
- Direitos de uso: se a marca quiser usar seu conteúdo em anúncios, no site ou em outros canais, isso vale mais do que a simples publicação no seu perfil. Defina tempo, plataformas e território.
- Exclusividade: se a marca pedir que você não faça publis de concorrentes por um período, você abre mão de outras receitas. Isso deve entrar no preço.
Passo 4: monte o orçamento
Uma estrutura clara para apresentar à marca:
- descrição de cada entrega (formato, quantidade, plataforma);
- valor por entrega ou pacote;
- prazos e número de revisões incluídas;
- condições de uso do conteúdo e exclusividade, se houver;
- forma e prazo de pagamento.
Deixe claro o que está incluso. Alterações fora do combinado podem ser cobradas à parte.
Como negociar sem insegurança
- Escute primeiro o que a marca quer e qual é a verba disponível, se ela informar.
- Se o orçamento for menor, ajuste o escopo (menos entregas, menos direitos) em vez de simplesmente baixar o preço.
- Mostre o valor com dados e exemplos, não só com números de seguidores.
- Evite aceitar uma proposta no calor da hora; peça um tempo para calcular.
- Aprenda com cada negociação e registre o que funcionou.
Permuta e valor de produto
Quando a marca oferece produto em vez de pagamento, compare o valor do produto com o seu custo de trabalho. Se for um produto que você usaria e o esforço for pequeno, pode fazer sentido. Se o trabalho for grande e o produto simples, proponha pagamento ou combinação das duas formas.
Cuidados fiscais e legais
Receber por publicidade é renda. A forma de emitir documento fiscal, recolher tributos e a necessidade de abrir CNPJ dependem da sua situação. Procure um contador para orientar, e confira nos sites oficiais as regras e os limites atuais.
Exemplo de cálculo, passo a passo
Para visualizar o método, veja um exemplo ilustrativo, com números simbólicos que não representam valores de mercado. Imagine que uma pessoa estime os seguintes tempos para um vídeo patrocinado: duas horas entre reunião, roteiro e preparação, três horas de gravação, três horas de edição e uma hora para ajustes e publicação. Total: nove horas.
Se a sua hora de trabalho calculada for um determinado valor, multiplique por nove. Some custos diretos, como material, locação ou ajuda de terceiros, e uma reserva para tributos. Esse é o seu piso.
Depois, avalie os acréscimos:
- o alcance e o engajamento dos seus últimos conteúdos;
- a afinidade do público com o produto;
- a urgência do prazo, se a marca precisar da entrega rápido;
- o uso do conteúdo em anúncios, que costuma ser cobrado à parte;
- a exclusividade, que impede outras parcerias no período.
Ao final, apresente à marca um valor com o que está incluído e o que seria cobrado à parte. Se ela disser que o orçamento é menor, você pode reduzir o escopo, por exemplo, tirando o uso em anúncios ou diminuindo o número de peças. Evite baixar o preço mantendo o mesmo trabalho: isso ensina a marca a esperar desconto e desvaloriza o seu serviço.
Para sair do zero ao primeiro orçamento
Faça a conta do seu piso, defina um valor-alvo com margem, escreva um orçamento modelo e salve-o. Ajuste a cada proposta e registre o que foi aceito ou recusado. Com o tempo, seus próprios dados formarão uma tabela mais confiável do que qualquer lista pronta.