Você já ouviu falar que Linux é leve, gratuito e bom para computadores antigos, mas não sabe por onde começar nem tem coragem de apagar o Windows. A boa notícia é que dá para experimentar sem arriscar nada. Veja o que é Linux, para quem faz sentido e quatro jeitos seguros de testar.
O que é Linux e o que são distribuições
Linux é um sistema operacional, assim como Windows e macOS. O que muda é a forma como ele é distribuído: o núcleo do sistema é aberto, e diferentes grupos e empresas montam pacotes completos, com visual, programas e ferramentas de instalação. Cada pacote é uma distribuição (ou “distro”).
Exemplos conhecidos: Ubuntu, Linux Mint, Fedora e Debian. Cada uma tem um estilo, mas todas rodam programas parecidos e têm uma comunidade grande. Os nomes aqui são só exemplos, não um ranking.
Outro termo que você vai ver é ambiente de desktop, a parte visual: menus, janelas, barra de tarefas. Existem ambientes mais completos e outros mais leves, e alguns são parecidos com o Windows.
Linux é para você?
Linux costuma funcionar bem para:
- navegar na internet, ver vídeos, ler e-mails e usar pacotes de escritório;
- estudar programação, redes e servidores;
- dar uma nova vida a um computador antigo e lento;
- quem gosta de personalizar e entender como o sistema funciona.
Pode dar trabalho quando você depende de:
- programas específicos do Windows, como certos softwares de design, contabilidade e engenharia;
- alguns jogos, principalmente com proteção contra trapaça que não roda no Linux;
- impressoras e dispositivos mais exóticos, que nem sempre têm driver;
- suporte do trabalho ou da faculdade que só atende Windows ou Mac.
Antes de trocar, liste os programas que você usa no dia a dia e veja se existe versão ou alternativa. Para a maioria, existe: navegadores, LibreOffice no lugar do Office, GIMP para edição de imagens, VLC para vídeos.
Quatro jeitos de testar sem risco
1. Pendrive no modo ao vivo (Live USB)
É o teste mais direto. Você grava a distribuição em um pendrive, inicia o PC por ele e usa o Linux sem instalar nada. Quando reiniciar sem o pendrive, tudo volta ao Windows.
- Baixe a imagem (ISO) no site oficial da distribuição.
- Grave num pendrive de 8 GB ou mais com um programa gratuito, como o Rufus ou o Balena Etcher (exemplos). Isso apaga o pendrive.
- Reinicie e abra o menu de boot (a tecla varia: F12, F10, F2, Esc). O processo é parecido com o de um pendrive de instalação do Windows.
- Escolha a opção de testar o sistema, sem instalar.
Fica um pouco mais lento que o normal por rodar do pendrive, mas dá uma boa ideia do visual e se o Wi-Fi, o som e a tela funcionam.
2. Máquina virtual
Um programa como o VirtualBox (exemplo) cria um “computador dentro do computador”. Você instala o Linux ali, dentro de uma janela do Windows. É seguro e permite brincar à vontade, mas exige um PC com memória de sobra, e o desempenho gráfico é limitado.
3. WSL dentro do Windows
Se o seu interesse é o terminal e as ferramentas de programação, o WSL instala o Linux dentro do Windows com um comando. Veja como instalar o WSL no Windows. Ele não mostra o desktop completo do Linux, mas é ótimo para aprender comandos.
4. Dual boot (instalação lado a lado)
Instala o Linux no mesmo disco do Windows e deixa você escolher qual abrir ao ligar o PC. É o mais completo, mas também o que exige mais cuidado:
- Faça backup antes de qualquer coisa.
- Reserve espaço com a ferramenta de Gerenciamento de Disco. O guia de como particionar o disco no Windows explica como diminuir a unidade C.
- Se o disco usa criptografia (BitLocker), desative-a ou tenha a chave de recuperação à mão antes de mexer.
- Instale o Windows primeiro e o Linux depois, nessa ordem.
- Atualizações grandes do Windows às vezes bagunçam o gerenciador de inicialização, o que pode exigir reparo.
Se você nunca mexeu em partições, comece por qualquer um dos três primeiros.
Primeiros dias com Linux
Algumas diferenças que ajudam a não se frustrar:
- Programas se instalam por uma loja ou gerenciador de pacotes, e não baixando .exe. A loja de aplicativos da distribuição é o jeito mais simples e seguro.
- Atualizações do sistema e dos programas vêm juntas, em geral por uma ferramenta de atualização.
- O terminal é opcional para o dia a dia, mas útil de aprender. Comandos como ls, cd e sudo aparecem muito em tutoriais.
- Arquivos ficam organizados na pasta do usuário, sem letras como C: e D:.
- Senha de administrador é pedida para mudanças importantes. Pense antes de digitar comandos que você copiou sem entender.
Antes de instalar de verdade
- Teste o hardware no modo ao vivo: Wi-Fi, som, câmera, touchpad e brilho da tela.
- Faça backup completo do que importa, de acordo com o guia de como fazer backup do computador.
- Decida entre substituir o Windows ou manter os dois. Manter os dois dá segurança enquanto você se acostuma.
- Dê um prazo de teste: use por duas ou três semanas antes de decidir. As primeiras horas são sempre as mais estranhas.
O melhor primeiro passo é grátis e leva uma tarde: baixe uma distribuição, grave num pendrive e passe uma hora explorando. Se gostou, avance para a máquina virtual ou para o dual boot; se não, tire o pendrive e volte ao Windows como se nada tivesse acontecido.