O pacote Office pago é padrão em muitas empresas, mas nem todo mundo precisa pagar por ele. Para escrever um trabalho, montar uma planilha de gastos ou fazer slides, o LibreOffice cumpre bem a tarefa e é gratuito. Veja o que ele oferece e como saber se serve para você.
O que é o LibreOffice
O LibreOffice é um conjunto de programas de escritório, de código aberto, mantido por uma comunidade e por uma fundação sem fins lucrativos. Funciona em Windows, Mac e Linux e tem versão em português. Os principais componentes são:
- Writer: editor de texto, equivalente ao Word.
- Calc: planilhas, equivalente ao Excel.
- Impress: apresentações, equivalente ao PowerPoint.
- Draw: desenhos e diagramas, e também edição simples de PDF.
- Base: bancos de dados, equivalente ao Access.
- Math: fórmulas matemáticas para inserir em documentos.
Muita gente usa só os três primeiros. Por padrão, ele salva no formato aberto ODF (como .odt, .ods e .odp), mas pode salvar em DOCX, XLSX e PPTX com um clique em Salvar como.
Como instalar e configurar
- Entre no site oficial do projeto (libreoffice.org) e baixe a versão para o seu sistema. Se aparecerem duas opções, a versão estável é a mais indicada para o dia a dia.
- Execute o instalador e siga as telas.
- Se o programa abrir em outro idioma, instale o pacote de idioma pelo mesmo site.
- Em Ferramentas > Opções > Carregar/Salvar > Geral, escolha DOCX, XLSX e PPTX como formatos padrão, se você troca arquivos com quem usa Microsoft Office. O caminho pode variar conforme a versão.
Para entender melhor o cuidado com a origem do instalador, leia como instalar programas no Windows com segurança.
Vale também configurar o salvamento automático de recuperação, que guarda uma cópia do documento em intervalos curtos. Em caso de queda de energia ou travamento, ao abrir o programa de novo ele oferece recuperar o que estava aberto. Essa opção costuma ficar em Ferramentas > Opções > Carregar/Salvar, e o nome exato pode variar conforme a versão.
O que ele faz bem
Para o uso do dia a dia, o LibreOffice entrega:
- cartas, currículos, trabalhos escolares e contratos simples;
- planilhas com fórmulas, filtros, gráficos e tabela dinâmica;
- apresentações com transições e modelos;
- exportação direta para PDF, com um botão na barra de ferramentas;
- recursos de revisão, como comentários e controle de alterações.
As fórmulas do Calc seguem a lógica das do Excel, e muitas funções têm o mesmo nome. Se você precisa treinar, os guias de PROCV e PROCX e de função SE ajudam, porque a ideia vale para as duas planilhas, mesmo que o nome de alguma função mude.
O Writer também tem exportação para PDF com opções de segurança e permite criar formulários preenchíveis, enquanto o Impress abre arquivos de apresentação e os exibe com anotações do apresentador. Para quem escreve textos longos, os estilos e o sumário automático ajudam a manter o documento organizado do começo ao fim.
Onde pode dar diferença
O ponto mais sensível é a compatibilidade com arquivos do Microsoft Office. Em documentos simples, o resultado é fiel. Em arquivos mais elaborados, preste atenção em:
- Macros: macros em VBA do Excel e do Word nem sempre rodam como no original.
- Layouts complexos: colunas, caixas de texto e imagens sobrepostas podem se deslocar.
- Fontes: se o documento usa uma fonte que você não tem, o programa troca por outra, e isso muda a paginação.
- Recursos exclusivos: alguns recursos novos do pacote da Microsoft, sobretudo os ligados à nuvem e à IA, não existem no LibreOffice.
- Trabalho em equipe em tempo real: a edição simultânea é mais forte em soluções online, tema do artigo Google Workspace ou Microsoft 365.
Quando vale a pena trocar
O LibreOffice é uma boa escolha se:
- você usa o computador de forma pessoal, em casa ou para estudo;
- troca arquivos simples com outras pessoas;
- quer economizar uma assinatura;
- usa Linux, onde ele costuma vir instalado;
- quer um programa que funcione sem conta e sem internet.
Ele é menos indicado se:
- sua empresa exige macros ou integração com sistemas feitos para o Office;
- você precisa trabalhar com documentos jurídicos ou acadêmicos de formatação rígida, em que qualquer deslocamento importa;
- o trabalho depende de edição em tempo real com várias pessoas.
Para trabalhos acadêmicos, ele também aplica estilos e tem sumário automático. Se você segue as normas da ABNT, o guia de formatação ABNT no Word e Google Docs ensina a lógica de estilos, que se aplica nos dois programas.
Uma estratégia para migrar sem estresse
Se você usa o pacote pago há anos, não precisa cortar de uma vez. Comece usando o LibreOffice para os documentos novos e simples, como cartas e planilhas pessoais. Mantenha o programa antigo para arquivos complexos até ter segurança. Depois de um mês, avalie quantas vezes realmente precisou voltar ao programa antigo. Essa conta mostra se vale manter a assinatura ou não.
Teste sem compromisso
Instale o LibreOffice sem desinstalar nada. Abra três ou quatro arquivos reais seus, como o currículo, uma planilha e uma apresentação, e confira o resultado. Se tudo sair bem, você já tem uma alternativa gratuita no computador. Se alguma coisa sair errada, nada foi perdido, porque o seu pacote atual continua lá. E para ver outras opções além do pacote de escritório, confira alternativas gratuitas a programas pagos.