Você comprou um monitor bonito, ligou o cabo que veio na caixa e percebeu que a imagem está em 30 quadros por segundo, ou que a resolução máxima não aparece. Na maioria das vezes, o problema não é o monitor, e sim o cabo ou a porta. Aqui você entende o que cada conexão faz e como escolher a certa.
Os principais conectores de vídeo
Hoje você vai encontrar quatro opções, e elas podem estar nos dois lados da conexão (no PC e no monitor):
- HDMI: o mais popular. Está em TVs, monitores, consoles e notebooks. Leva imagem e som.
- DisplayPort: comum em monitores de computador e placas de vídeo. Também leva imagem e som, e é a escolha preferida para monitores de alta resolução e alta taxa de atualização.
- USB-C: o conector reversível dos aparelhos atuais. Pode levar vídeo, dados e energia, mas só quando a porta suporta.
- VGA e DVI: conexões antigas. O VGA é analógico e tem qualidade bem inferior. Só use se não houver alternativa.
A versão importa mais que o conector
O que limita resolução e taxa de atualização não é o formato do plugue, mas a versão do padrão. Cada versão suporta mais dados por segundo. Como referência geral:
- HDMI 1.4: chega a 4K, mas só a 30 Hz, o que parece “travado” em movimento. Em Full HD, vai até 60 Hz sem problema.
- HDMI 2.0: suporta 4K a 60 Hz, que é o padrão confortável para uso diário.
- HDMI 2.1: abre caminho para 4K em taxas mais altas e resoluções maiores, e é muito usado em consoles e TVs mais recentes.
- DisplayPort 1.2: suporta 4K a 60 Hz e Full HD ou QHD em taxas altas.
- DisplayPort 1.4 e versões mais novas: suportam resoluções maiores e taxas de atualização mais altas.
Esses limites mudam conforme a tecnologia de cada fabricante, então leia a ficha técnica do monitor e da placa de vídeo para ver as versões exatas. O importante é lembrar que a conexão funciona na versão do elo mais fraco: porta do PC, cabo e entrada do monitor.
HDMI: quando é a melhor escolha
O HDMI é a conexão universal. Vale muito a pena quando:
- o monitor ou a TV só tem HDMI;
- você liga consoles, TV box ou projetores;
- você quer o jeito mais simples, sem se preocupar com versões, para Full HD.
Ao ligar um monitor 4K ou de alta taxa de atualização, confira se a porta HDMI do PC e a do monitor suportam as versões necessárias. Muitos monitores têm uma porta HDMI mais nova e outra mais antiga, e vale ligar na correta.
DisplayPort: quando é a melhor escolha
O DisplayPort é a melhor aposta quando você tem um monitor de computador de alto desempenho. Ele é preferido para:
- monitores de alta taxa de atualização (por exemplo, 144 Hz ou mais);
- resoluções QHD ou 4K;
- recursos de sincronização adaptativa para jogos, como G-Sync e FreeSync, que costumam funcionar bem por esse cabo;
- vários monitores em cadeia (daisy chain), em modelos que aceitam.
Ele tem uma trava no conector, que impede que o cabo se solte sozinho. Para soltar, aperte o pequeno botão no plugue.
USB-C: nem toda porta leva vídeo
O USB-C é o futuro dos conectores, mas também o mais confuso. O formato do plugue é igual, só que as portas variam muito:
- algumas servem só para dados (pendrives, HDs);
- outras servem para carregar o aparelho;
- as mais completas levam vídeo (modo DisplayPort, ou Thunderbolt/USB4) e energia.
Para ligar um monitor por USB-C, a porta do notebook precisa suportar vídeo, e o cabo também deve ser compatível. Um cabo USB-C de carregador comum pode não levar imagem. Procure no manual do aparelho ou o símbolo de DisplayPort ou de raio (Thunderbolt) ao lado da porta.
A vantagem é enorme: um único cabo pode levar imagem ao monitor e ainda carregar o notebook, se o monitor oferecer essa função. Para expandir as portas do notebook, veja hub USB-C ou dock para notebook.
Adaptadores e conversões
Nem sempre os conectores coincidem, e os adaptadores resolvem boa parte dos casos:
- DisplayPort para HDMI: funciona bem com um cabo ou adaptador comum.
- HDMI para DisplayPort: costuma exigir um conversor ativo, com alimentação própria.
- USB-C para HDMI ou DisplayPort: funciona se a porta USB-C do aparelho suportar vídeo.
- VGA para HDMI: exige conversão de sinal analógico para digital, e a qualidade fica limitada.
Cabos muito longos também perdem sinal, especialmente em resoluções altas. Para distâncias grandes, procure cabos de qualidade certificados ou ativos.
Sinais de que o cabo é o problema
Antes de culpar o monitor ou a placa de vídeo, observe estes sintomas:
- imagem que pisca ou some por instantes;
- pontinhos coloridos ou chuvisco na tela (chamados de sparkles), comuns em cabos HDMI com defeito ou muito longos;
- resolução máxima abaixo do esperado ou taxa de atualização presa em 30 Hz ou 60 Hz;
- som que falha ou sai pela TV de forma intermitente.
Se isso acontece, teste outro cabo, de preferência curto e de marca conhecida, e reencaixe os plugues nos dois lados.
Como escolher na prática
- Veja as portas do PC (ou da placa de vídeo) e as do monitor.
- Anote as versões de cada porta, na ficha técnica ou no manual.
- Escolha o cabo compatível com a maior versão em comum. Para resoluções e taxas altas, prefira DisplayPort ou HDMI de versão adequada.
- Ligue o cabo e entre nas configurações de tela para ajustar resolução e taxa de atualização para o máximo.
- Se a imagem sumir ou piscar, teste outro cabo ou outra porta. O problema da tela preta é tratado em tela preta no PC ou monitor sem sinal.
Se você está escolhendo um monitor novo, o guia como escolher um monitor ajuda a casar resolução, taxa e conexões. E, para outros guias de periféricos, visite a categoria Computadores.