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Embalagem estourada na devolução: por que acontece e o que fazer

Resposta rápida

A embalagem costuma voltar estourada porque o produto faz dois trajetos e, na volta, raramente é embalado e transportado com o mesmo cuidado da ida. Como muitos fornecedores não trocam produto com caixa danificada, esse prejuízo deve entrar na sua margem de risco. Quando possível, dá para aproveitar uma caixa em bom estado, desde que o produto vendido como novo esteja realmente novo e perfeito.

Neste artigo
  1. Por que o fornecedor não troca
  2. Por que a caixa volta estourada
  3. Coloque essa perda na margem de risco
  4. Reduza o risco antes de enviar
  5. Como reaproveitar: trocar o produto de caixa
  6. O cuidado que não pode faltar
  7. Descarte do que sobrar

Quem trabalha com e-commerce conhece bem esta cena: a devolução chega e a caixa está estourada. O produto pode até estar bom, mas a embalagem não presta mais, e o fornecedor não aceita trocar. É uma perda recorrente, que precisa entrar no seu planejamento. Aqui você entende por que isso acontece e como reaproveitar o que der, sempre com honestidade com o próximo cliente.

Por que o fornecedor não troca

Na minha experiência, o fornecedor não troca mercadoria que volta com a caixa estourada. O raciocínio dele é simples: ele vendeu o produto com a caixa em perfeito estado. Se o produto tiver defeito, ele troca, mas a caixa tem que estar boa.

Para quem vende, isso significa que uma devolução com embalagem danificada pode virar prejuízo, mesmo quando o produto em si não tem nada de errado. Você não consegue devolver ao fornecedor e, muitas vezes, também não consegue vender de novo como estava.

Por que a caixa volta estourada

O ponto principal é que o produto fez dois trajetos. E a culpa nem sempre é do cliente. Os motivos mais comuns são estes:

  • O cliente não embala como você. Na ida, você manda com plástico bolha e tudo bem embalado. Na volta, normalmente o cliente não tem o mesmo material nem o mesmo critério, e o pacote viaja mais desprotegido.
  • A entrega não deu certo. Às vezes o pacote ia ser entregue, mas o destinatário esteve ausente nas tentativas ou o endereço estava errado, e a encomenda volta para você.
  • O retorno é tratado de outro jeito. Na minha experiência, o retorno não é acondicionado da mesma forma que a ida e costuma voltar em caminhões mais lotados. O resultado, de novo, é caixa estourada.

Para entender o fluxo completo do lado do vendedor, veja o guia de devolução de produto no marketplace.

No vídeo abaixo eu mostro uma caixa que voltou assim e explico o problema.

Coloque essa perda na margem de risco

Já que esse tipo de devolução vai acontecer, o melhor é se preparar. Margem de risco é uma parte do preço reservada para cobrir perdas previsíveis, como avarias, extravios e produtos devolvidos que não podem ser revendidos.

Para calcular com mais segurança:

  1. Registre cada devolução, com o motivo e o estado em que o produto chegou.
  2. Some o prejuízo de cada caso: produto perdido, frete e embalagem.
  3. Compare com o total de vendas de cada produto, por alguns meses.
  4. Ajuste o preço dos produtos que mais dão esse tipo de problema.

Se as perdas forem grandes, considere conversar com um contador sobre a melhor forma de registrar e calcular isso.

Reduza o risco antes de enviar

Não dá para controlar a volta, mas dá para melhorar as chances:

  • Embale com folga de proteção, para a caixa original do produto chegar inteira. O guia de como embalar produtos para envio ajuda.
  • Oriente o cliente: na mensagem de devolução, peça com educação que ele use a mesma embalagem em que recebeu.
  • Confira o endereço antes de despachar, para evitar retorno por endereço errado.
  • Deixe clara sua política de troca e devolução, como mostra o guia de política de troca e devolução da loja virtual.
  • Fotografe tudo quando a devolução chegar, antes de abrir o pacote.

Como reaproveitar: trocar o produto de caixa

Existe um cenário em que dá para recuperar parte do prejuízo. Imagine que você tem duas devoluções:

  • Devolução A: o produto voltou na caixa em ótimo estado, mas ele está com defeito e já passou do prazo de troca com o fabricante.
  • Devolução B: o produto está perfeito, mas a caixa voltou totalmente estourada, e o fornecedor não troca por causa da embalagem.

A saída que eu indico é pegar o produto bom da devolução B e colocar na caixa boa da devolução A. Assim você fica com uma caixa boa com um produto bom, e uma caixa estourada com o produto ruim. Esse último vai para o descarte, porque o fabricante não troca nenhum dos dois: um pela embalagem, o outro pelo prazo.

No vídeo abaixo eu explico esse reaproveitamento.

O cuidado que não pode faltar

Esse reaproveitamento só é correto se o produto que vai para a caixa boa estiver realmente novo e perfeito. Antes de colocar à venda como novo, confira:

  1. Sem sinal de uso: nada de riscos, marcas, sujeira ou peças fora do lugar.
  2. Funcionando perfeitamente: teste o que puder ser testado.
  3. Completo: todos os acessórios, manuais e itens que deveriam vir na caixa.
  4. Mesmo modelo e versão: a caixa precisa ser exatamente do mesmo produto, com as mesmas informações. Se houver número de série ou etiqueta na caixa que deva corresponder ao aparelho, o produto precisa bater com ela.

Na dúvida, não arrisque. Uma venda enganosa custa muito mais do que um produto perdido, em reclamação, devolução e reputação.

Descarte do que sobrar

O que não puder ser aproveitado deve ser descartado de forma correta. Eletrônicos, pilhas e baterias, por exemplo, não vão para o lixo comum: procure pontos de coleta ou programas de recolhimento do fabricante. Embalagens de papelão em bom estado podem ir para a reciclagem.

O caminho prático é este: separe um espaço só para devoluções, confira cada uma com calma, fotografe, aproveite o que estiver realmente perfeito e anote as perdas. Com esse registro, você enxerga quais produtos dão mais problema e ajusta preço e embalagem antes que o prejuízo cresça.

Veja também nas redes

  • Devolução
  • Embalagem
  • Marketplace

Perguntas frequentes

Posso vender como novo um produto que voltou de devolução?

Só se ele estiver realmente novo, sem sinal de uso, completo e funcionando perfeitamente. Se tiver uso, defeito ou faltar algo, ele não pode ser vendido como novo, e o certo é anunciar com a condição real ou descartar.

Devo reclamar com a plataforma quando o produto volta danificado?

Vale verificar. Muitas plataformas têm um caminho para o vendedor relatar devolução que voltou danificada ou diferente do que foi enviado. Confira na central do vendedor e registre tudo com fotos assim que o pacote chegar.

Quanto reservar de margem de risco para devoluções?

Não existe um número único. Acompanhe por alguns meses quantas vendas viram devolução e quanto você perde em cada uma, e use esse histórico para ajustar o preço. Um contador pode ajudar a montar essa conta.

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