Receber ameaças, xingamentos pesados ou perseguição pela internet assusta. Nessas horas, é comum apagar tudo para se livrar do mal-estar, mas isso destrói a prova que pode ajudar você depois. Este passo a passo mostra como registrar o que aconteceu, organizar o material e buscar os canais certos. É orientação geral, e cada caso pode exigir ajuda de um advogado ou da polícia.
Primeiro, a sua segurança
Se a ameaça indica risco imediato à sua vida ou à de alguém, ligue para o 190 (polícia) ou procure um lugar seguro e uma pessoa de confiança. Registrar provas é importante, mas a integridade física vem antes.
Para o impacto emocional, converse com alguém próximo. Quem precisar de apoio imediato pode ligar para o CVV, no 188. Não é fraqueza pedir ajuda.
O que registrar
Quanto mais completo for o registro, melhor. Não responda ao agressor e não altere nada. Anote ou salve:
- O conteúdo: mensagens, comentários, publicações, stories, áudios e vídeos. Em áudio, salve o arquivo.
- Quem enviou: nome do perfil, foto e link do perfil. O nome de usuário pode mudar, então registre também outros dados visíveis, como a descrição do perfil.
- Quando aconteceu: data e hora. Garanta que elas apareçam na captura ou anote a data em que você viu.
- Onde aconteceu: rede social, aplicativo de mensagem, jogo, e-mail ou outro canal.
- O contexto: capture a conversa inteira, e não só a frase mais agressiva. Ela mostra a sequência e o que veio antes.
- Repetição: se o assédio acontece em vários dias, registre todos. A repetição pesa.
Como capturar do jeito certo
- Print com contexto. Mostre o nome do perfil, a mensagem e o horário na mesma imagem. Se a conversa for longa, tire várias capturas em sequência, sobrepondo um pouco as telas. Os passos de cada aparelho estão em print de tela no celular.
- Gravação de tela. Grave o vídeo navegando do perfil até as mensagens, rolando a conversa. Ele mostra que o conteúdo é real e não foi montado.
- Copie os links. Use a opção de copiar o link da publicação, do comentário e do perfil. Cole tudo em um documento.
- Salve os arquivos originais. Áudios, fotos e vídeos recebidos devem ser guardados no formato original, sem edição.
- Não recorte nem desenhe sobre as imagens. Se quiser destacar algo, faça uma cópia à parte e mantenha o original intacto.
Organize as provas em ordem
Crie uma pasta e nomeie os arquivos com a data e uma numeração, por exemplo ‘2026-11-03-01’. Em um documento de texto, faça uma linha do tempo curta com o que aconteceu em cada dia, os links e os nomes dos arquivos. Isso facilita a vida de quem for analisar, seja uma delegacia, seja um advogado.
Se quiser reunir as capturas em um único PDF, no computador é possível inserir as imagens em um documento de texto, uma por página, e exportar para PDF. Guarde sempre as imagens originais além do PDF.
Quem preferir uma conversão direta, que acontece no próprio navegador e não envia os arquivos para nenhum servidor, pode usar o JPG para PDF, que faz parte do Meta Pro. Ele transforma as imagens em um PDF, uma por página, com tamanho de página e margem à escolha. O PDF organiza o material, mas não dá valor jurídico por si só. É um atalho opcional.
Onde denunciar
Na plataforma
Use a denúncia do aplicativo para o perfil, a mensagem ou a publicação, escolhendo a categoria que mais se aproxima (ameaça, assédio, discurso de ódio). Depois de registrar as provas, bloqueie o perfil e restrinja quem pode falar com você. A denúncia pode levar tempo e nem sempre resulta em remoção, mas deixa um histórico. Para perfis que se passam por outra pessoa, veja como denunciar um perfil falso.
Na polícia
Ameaça e perseguição são crimes previstos no Código Penal. Leve as provas à delegacia, de preferência uma especializada em crimes cibernéticos, se houver na sua cidade, ou a qualquer delegacia. Muitos estados oferecem registro de ocorrência pela internet. O nome e o procedimento variam conforme a região. Peça o número do registro.
Em canais de ajuda
- Disque 100: violações de direitos humanos, incluindo crianças e adolescentes.
- Ligue 180: central de atendimento à mulher, para casos de violência de gênero, incluindo a que acontece online.
- SaferNet Brasil: canal de orientação e denúncia sobre crimes e violações na internet.
- Escola, empresa ou universidade: quando o agressor faz parte do ambiente, comunique a direção, o RH ou a ouvidoria, por escrito.
Se envolver criança, adolescente ou exposição de fotos íntimas, leia cyberbullying: como agir, guardar provas e denunciar e sextorsão: o que fazer.
Proteja a sua conta e a sua privacidade
- Deixe os perfis privados por um tempo e limite quem pode comentar e enviar mensagens.
- Ative a verificação em duas etapas nas contas principais.
- Não compartilhe localização nem dados de rotina enquanto o problema durar.
- Avise pessoas próximas para que não respondam ao agressor em seu nome.
E um advogado, quando?
Procure orientação jurídica se as ameaças continuam, se há exposição de dados ou de imagens, se o agressor é conhecido ou se você deseja pedir medidas urgentes, como a retirada de conteúdo por ordem judicial ou uma medida protetiva. O advogado também pode explicar formas mais seguras de registrar provas, como a ata notarial em cartório. Se não tiver como pagar, procure a Defensoria Pública da sua cidade.
Comece hoje: salve as provas em duas pastas, anote os links e só depois denuncie e bloqueie. Você não precisa resolver tudo sozinho.