Criação de Apps

Como revisar código gerado por IA antes de usar no seu projeto

Resposta rápida

Para revisar código gerado por IA, leia até entender cada linha, rode o programa com casos normais e casos estranhos, confira se funções e pacotes realmente existem, procure falhas de segurança como senhas no código e consultas sem proteção, e só então faça o commit. Se não consegue explicar o que o código faz, ele ainda não está pronto para entrar no projeto.

Neste artigo
  1. Primeiro: entenda antes de aceitar
  2. Segundo: rode e teste de verdade
  3. Terceiro: confira o que a IA pode ter inventado
  4. Quarto: procure falhas de segurança
  5. Quinto: veja o impacto no resto do projeto
  6. Peça à IA para facilitar a sua revisão
  7. Uma lista rápida para colar ao lado do editor

Código gerado por IA costuma chegar bem formatado, com nomes claros e até comentários. Isso passa uma confiança que nem sempre é merecida. Revisar não é desconfiar de tudo: é ter um roteiro curto que pega os erros mais comuns antes de eles chegarem aos seus usuários.

Este roteiro serve para scripts, sites e apps. Quanto maior o risco do que você está construindo, mais rigorosa deve ser cada etapa.

Primeiro: entenda antes de aceitar

A regra de ouro é simples: se você não consegue explicar o que um trecho faz, ele não entra. Isso não significa que precisa ser especialista, mas sim que precisa seguir a lógica.

  • Leia o código de cima para baixo, como se fosse um texto.
  • Em cada função, pergunte: o que entra, o que sai e o que pode dar errado no meio?
  • Peça à própria IA para explicar linha a linha o que você não entendeu. Depois confirme na documentação oficial.
  • Procure partes que não têm relação com o que você pediu. Código extra pode ser inofensivo, mas também pode ser uma decisão sua que a IA tomou sem avisar.

Segundo: rode e teste de verdade

Código que não foi executado é só uma hipótese. Rode o programa e teste mais do que o caminho feliz:

  1. Entrada normal: o caso que você imaginou ao pedir o código.
  2. Entrada vazia: campo em branco, arquivo sem linhas, lista vazia.
  3. Entrada estranha: texto onde deveria ter número, acentos, números negativos, valores enormes.
  4. Falha externa: internet fora, arquivo que não existe, servidor que responde com erro.

Se o projeto já tem testes, rode todos. Se não tem, vale pedir à IA que escreva alguns e então revisar também os testes, porque um teste mal feito aprova código errado. Veja mais em testes automatizados: o que são e por que fazer.

Terceiro: confira o que a IA pode ter inventado

Modelos de linguagem às vezes “alucinam” em código. Os casos mais comuns:

  • Funções que não existem: o nome parece plausível, mas não está na biblioteca. A execução acusa o erro, e é fácil de pegar.
  • Versões misturadas: o código usa um jeito antigo ou novo demais para a versão que você instalou.
  • Pacotes inventados ou com nome parecido: a IA sugere instalar algo que não existe ou que é cópia mal-intencionada de um pacote conhecido. Antes de instalar, procure o nome no site oficial do ecossistema (como PyPI ou npm), veja o endereço do projeto, a data de criação e o número de usuários.
  • Parâmetros errados: a função existe, mas o argumento tem outro nome ou outra ordem.

A solução é a documentação oficial. Para entender o que está por trás desse comportamento, leia IA inventou resposta: o que fazer.

Quarto: procure falhas de segurança

IA tende a escrever o caminho mais curto, e o mais curto nem sempre é seguro. Procure especialmente:

  • Segredos no código: senhas, chaves de API ou tokens escritos direto no arquivo. Devem ficar em variáveis de ambiente (veja variáveis de ambiente e arquivo .env).
  • Consultas ao banco montadas com texto colado: abrem a porta para injeção de SQL. O correto é usar consultas parametrizadas.
  • Entrada do usuário usada sem validação: nomes de arquivo, endereços e textos que vão parar em comandos ou páginas.
  • Senhas guardadas em texto puro: devem ser guardadas com hash próprio para senhas.
  • Erros que mostram detalhes internos ao usuário final.

Há um artigo dedicado ao tema em segurança básica em código: os erros mais comuns.

Quinto: veja o impacto no resto do projeto

Mesmo código correto pode causar problemas em outro lugar. Antes do commit:

  • Veja o diff (a lista de mudanças) e confirme que só os arquivos esperados foram alterados.
  • Verifique se algum arquivo foi apagado ou renomeado.
  • Confira se novas dependências foram adicionadas e se são necessárias.
  • Rode o projeto inteiro, não só o trecho novo.

Quem trabalha com Git deve fazer o commit antes de pedir mudanças à IA, para poder desfazer com facilidade. O básico está em Git e GitHub para iniciantes.

Peça à IA para facilitar a sua revisão

Você também pode usar a IA a favor da revisão. Algumas instruções ajudam a receber código mais fácil de conferir:

  • peça que ela liste as suposições que fez sobre o seu projeto;
  • peça comentários curtos nos pontos mais delicados, explicando o porquê e não o óbvio;
  • peça que aponte o que pode dar errado e que casos de entrada o código não trata;
  • peça a menor mudança possível para resolver o problema, em vez de reescrever o arquivo inteiro.

Esse último ponto reduz muito o trabalho. Uma mudança de cinco linhas cabe na cabeça; uma reescrita de duzentas, não. Se a resposta vier grande demais, volte e peça de novo, dividindo o pedido em partes menores.

Uma lista rápida para colar ao lado do editor

  • Entendi o que cada trecho faz?
  • Rodei com entrada normal, vazia e estranha?
  • Funções, pacotes e versões existem de verdade?
  • Não há segredos nem dados pessoais no código?
  • As consultas ao banco e as entradas do usuário estão protegidas?
  • O diff mostra só o que eu esperava?

Se alguma resposta for “não sei”, volte um passo. Usar IA para escrever código é ótimo, desde que você continue sendo quem decide o que entra. Comece com projetos pequenos para criar o hábito e aumente o rigor conforme o risco cresce.

  • IA
  • Programação
  • Revisão de código

Perguntas frequentes

A IA pode escrever código com erro mesmo parecendo correto?

Pode. O código costuma ter boa aparência e comentários convincentes, mas pode ter lógica errada, ignorar casos extremos ou usar funções que não existem na versão que você utiliza. Por isso ele precisa ser executado e testado.

Posso pedir para a própria IA revisar o código que ela escreveu?

Pode ajudar como segunda leitura, porque ela às vezes percebe falhas que deixou passar. Mas não substitui sua revisão nem os testes, já que ela pode repetir a mesma suposição errada.

Quanto tempo vale gastar revisando?

Proporcional ao risco. Um script pessoal descartável pede uma leitura rápida e um teste. Código que lida com dinheiro, dados de clientes ou login merece revisão cuidadosa e, se possível, uma segunda pessoa.

Leia também

Criação de Apps

Git e GitHub para iniciantes: o que são e como usar

O que cada um faz, os comandos essenciais e o fluxo mais simples para guardar o histórico dos seus códigos.

· 5 min de leitura
Criação de Apps

Segurança básica em código: os erros mais comuns e como evitar

Os deslizes que mais abrem portas para ataques em sites e apps, e a defesa simples para cada um.

· 5 min de leitura
Criação de Apps

Testes automatizados: o que são, tipos e por que vale escrever

O que são testes de código, quais os tipos mais comuns e como começar com poucos testes que valem a pena.

· 5 min de leitura
Criação de Apps

Variáveis de ambiente e arquivo .env: senhas fora do código

O jeito certo de guardar chaves de API, senhas de banco e outros segredos do seu projeto.

· 5 min de leitura

Deixe seu comentário