O Telegram é uma das plataformas mais amigáveis para quem quer criar o primeiro bot: o registro é gratuito, a documentação é aberta e dá para ter algo respondendo em uma tarde. Bots servem para enviar avisos, tirar dúvidas de clientes, mostrar cotações, registrar tarefas, moderar grupos e muito mais. Veja como sair do zero até o primeiro bot funcionando.
O que é um bot do Telegram
Um bot é uma conta automatizada, controlada por um programa que você escreve (ou monta em uma ferramenta visual). A pessoa conversa com ele como conversaria com qualquer contato, mas quem responde é o código. A comunicação entre o seu programa e o Telegram acontece por uma API, a interface que permite dois sistemas conversarem. Se o termo é novo, leia o que é API e para que serve.
Passo 1: registre o bot no BotFather
O BotFather é o bot oficial do Telegram para criar e gerenciar bots. Siga estes passos:
- No Telegram, pesquise por BotFather e abra a conversa com o perfil oficial (confira o selo de verificado para não cair em perfil falso).
- Envie o comando /newbot.
- Escolha o nome de exibição, que as pessoas veem no chat.
- Escolha o username, que precisa ser único e terminar com “bot”, como NomeDaLojaBot.
- Anote o token que o BotFather devolve. Ele é a chave de acesso do seu bot.
Ainda no BotFather, você pode personalizar o bot com comandos como /setdescription, /setabouttext, /setuserpic e /setcommands, que define o menu de comandos que aparece para o usuário.
Passo 2: escolha como vai programar o bot
Existem três caminhos, do mais simples ao mais flexível:
- Ferramentas de automação sem código: n8n, Make e Zapier têm módulos para Telegram. Você monta fluxos do tipo “quando alguém enviar a palavra preço, responda com a tabela”.
- Bibliotecas em uma linguagem de programação: em Python, as mais usadas incluem python-telegram-bot, pyTelegramBotAPI e aiogram. Em JavaScript, há opções como Telegraf e grammY. Elas escondem os detalhes da API e deixam o código curto.
- Direto pela Bot API: você faz pedidos HTTP ao Telegram. Dá controle total, mas dá mais trabalho.
Para quem está começando em programação, Python é uma boa escolha. O guia de Python para iniciantes mostra o básico para entender o código de um bot.
Passo 3: receba mensagens e teste
Como o bot recebe mensagens
Há dois modos de o seu programa saber que chegou uma mensagem:
- Polling: o programa pergunta ao Telegram, de tempos em tempos, se há mensagens novas (o método chamado getUpdates). É o jeito mais simples para testar no computador, sem servidor público.
- Webhook: você informa ao Telegram um endereço seguro (HTTPS) do seu servidor e ele avisa o programa assim que algo chega (método setWebhook). É o mais eficiente para produção.
A lógica básica do bot é sempre parecida: receber a mensagem, olhar o texto ou o comando, decidir a resposta e enviar com o método sendMessage, indicando o identificador da conversa e o texto. A partir daí você adiciona botões, teclados de resposta rápida, envio de imagens e arquivos.
Teste e corrija
Rode o programa no seu computador, abra o bot no Telegram, toque em iniciar e envie algumas mensagens. Confira:
- o que acontece com um comando que não existe;
- o que acontece com um texto inesperado, uma figurinha ou um áudio;
- como o bot responde em grupos, porque por padrão ele só vê comandos e menções (existe o comando /setprivacy para mudar isso).
Quando algo falhar, leia a mensagem de erro com calma. O texto sobre como ler mensagens de erro e depurar código ajuda nessa etapa.
Passo 4: coloque o bot no ar
O bot só responde enquanto o programa estiver rodando. Para ficar ligado 24 horas, ele precisa de um lugar para viver:
- Servidor virtual (VPS) ou serviço de hospedagem de aplicações, com o programa configurado para reiniciar sozinho se cair;
- Funções sem servidor, que acordam quando o Telegram envia o webhook;
- Plataformas de automação, que já mantêm o fluxo no ar.
Os planos gratuitos e os limites mudam com o tempo, então confira a documentação de cada serviço. Guarde o token em variáveis de ambiente do servidor, e não escrito no código.
Cuidados com segurança e privacidade
- Controle quem executa comandos sensíveis: se o bot tem funções de administrador, verifique o identificador do usuário antes de executá-las.
- Colete só o necessário: se o bot guardar nome, telefone ou outras informações, informe para que serão usadas e proteja os dados. Em caso de uso comercial, vale ter uma política de privacidade.
- Respeite limites e regras: o Telegram restringe a quantidade de mensagens por segundo e proíbe spam. Bots que incomodam são denunciados e podem ser bloqueados.
- Valide o que o usuário envia: nunca execute comandos ou consultas montadas diretamente com o texto recebido sem filtrar.
Ideias para um primeiro projeto
- Um bot de avisos que envia lembretes diários.
- Um atendente de perguntas frequentes de uma loja, com menu de botões.
- Um registro de tarefas pessoal.
- Um bot que consulta uma planilha e devolve informações como estoque ou horários.
Se a ideia é atender clientes pelo WhatsApp em vez do Telegram, as regras são outras: veja como funciona um chatbot no WhatsApp com a API oficial. Comece pequeno, com um comando que responda uma frase, e vá acrescentando funções aos poucos, testando cada uma.