Deixar uma criança jogar sem nenhuma regra pode dar problema: tempo demais na tela, jogos pesados para a idade, compras sem querer e conversas com estranhos. Os três consoles principais têm ferramentas de controle dos pais gratuitas. Veja como configurar cada uma e como combinar regras com diálogo.
O que o controle dos pais costuma permitir
Os recursos variam, mas na prática você consegue:
- Limitar o tempo de jogo por dia ou por horário.
- Bloquear jogos por classificação indicativa, de acordo com a idade da criança.
- Controlar compras, com aprovação ou limite de gastos.
- Restringir a comunicação: chat de voz, mensagens e pedidos de amizade.
- Ver relatórios do que a criança jogou e por quanto tempo.
Antes de mexer nos menus, converse com a criança sobre as regras. Controles funcionam melhor com acordo do que como proibição surpresa.
PlayStation: gerenciamento de família
No PlayStation, o controle dos pais fica ligado à conta de um responsável, chamado de gestor da família. O caminho mais comum é:
- No PS5, abra Configurações > Família e controle dos pais > Gerenciamento de família.
- Entre com a sua conta de adulto e crie uma conta infantil, informando os dados da criança.
- Defina as restrições: nível de idade dos jogos, limite de tempo de jogo, limite de gastos mensais e regras de comunicação.
- Faça login na conta da criança no console para ela usar.
Também é possível ajustar pelo aplicativo do PlayStation no celular e pelo site da conta, o que ajuda a mudar uma regra sem pegar o console. Os nomes dos menus podem variar conforme a versão do sistema.
Xbox: conta Microsoft Família
No Xbox, o controle é feito pela conta Microsoft. O caminho típico:
- Crie ou use a conta Microsoft dos pais e adicione o filho ao grupo da família.
- Crie uma conta infantil, se a criança ainda não tem.
- Instale o aplicativo Xbox Family Settings no celular, ou use o site de segurança familiar da Microsoft.
- Configure o tempo de tela, o filtro de conteúdo por idade, as compras e a comunicação.
Quando o console é novo, o guia de como configurar o Xbox pela primeira vez ajuda a deixar a conta da criança já vinculada desde o início.
Nintendo Switch: aplicativo de controle dos pais
No Switch, a ferramenta principal é o aplicativo Nintendo Switch Parental Controls, no celular.
- Instale o aplicativo e entre com a sua conta Nintendo.
- Vincule o aplicativo ao console seguindo as instruções, que usam um código exibido no aparelho.
- Defina o limite de tempo diário e se o console deve apenas avisar ou suspender o jogo quando o tempo acabar.
- Escolha a restrição de jogos pela idade e as regras de comunicação e de compras.
- Veja o relatório de uso no celular.
Também existe um controle dos pais nas configurações do próprio Switch, mais simples, útil para uma restrição rápida.
Classificação indicativa e compras
No Brasil, os jogos têm uma faixa etária indicada pelo Ministério da Justiça, por exemplo livre, 10, 12, 14, 16 e 18 anos. Os consoles usam essa classificação, ou a equivalente, para bloquear jogos acima da idade escolhida.
Duas observações importantes:
- A classificação avalia o conteúdo do jogo, mas não o que outros jogadores falam ou fazem no online. Por isso o controle de comunicação é tão importante.
- Alguns jogos permitem compras dentro do jogo ou conteúdo gerado por usuários, o que pode escapar da faixa etária. Fique atento a esse tipo de jogo.
Para escolher jogos adequados, veja jogos de console para jogar em família.
Compras: o ponto que mais dá susto
Compras acidentais acontecem com mais frequência do que se imagina. Para evitar:
- Exija senha ou aprovação para qualquer compra feita na conta da criança.
- Defina um limite mensal, mesmo que seja pequeno, para a criança aprender a administrar.
- Evite salvar o cartão em consoles usados por crianças. Cartões-presente com valor fixo são uma alternativa mais segura.
- Atenção às compras dentro dos jogos: moedas, caixas e passes de temporada podem ser tentadores.
Sobre golpes que usam jogos infantis como isca, vale ler golpes na compra de jogos e contas de console.
Erros comuns ao configurar
Mesmo com tudo ativado, alguns deslizes tiram a eficácia das regras:
- Usar a conta do adulto para a criança jogar. Nesse caso nenhum limite vale. Cada criança deve ter a própria conta.
- Esquecer outros aparelhos. O mesmo jogo pode ser acessado pelo celular ou pelo computador. Revise os limites de todos os aparelhos da conta.
- Deixar a senha do adulto à vista. Se a criança conhece o PIN ou a senha, qualquer bloqueio cai.
- Definir regras rígidas demais. Limites que ninguém consegue cumprir viram motivo de briga e de burla. Comece com regras razoáveis.
- Não revisar. A criança cresce, e os limites precisam acompanhar.
Combine regras e diálogo
As ferramentas ajudam, mas não substituem a conversa. Algumas ideias práticas:
- Defina horários em que o console pode ser usado e combine dias sem jogo.
- Deixe o console em um espaço comum da casa, não só no quarto.
- Peça que a criança avise se alguém desconhecido a abordar no chat.
- Revise as regras a cada seis meses, conforme ela cresce.
Se você ainda está decidindo qual console comprar para a família, o controle dos pais pode pesar na escolha. Veja a comparação em PS5, Xbox ou Switch: qual escolher. Comece com regras simples e ajuste conforme a rotina da casa.