O cartão microSD é uma forma barata de ampliar o espaço do celular, principalmente para fotos, vídeos e músicas. Só que há uma enorme variedade de tipos, velocidades e preços, além de muitas falsificações. Comprar o cartão errado pode resultar em lentidão, arquivos corrompidos ou capacidade menor do que a anunciada. Veja como acertar.
Primeiro, veja se o seu celular aceita
Antes de qualquer coisa, confirme se o celular tem entrada para cartão. Muitos modelos intermediários e básicos têm, e vários aparelhos avançados abandonaram o recurso. O iPhone nunca teve. Na ficha técnica, procure por "slot microSD" e anote a capacidade máxima suportada, como 512 GB ou 1 TB. Cartões maiores que isso podem não ser lidos.
Em alguns celulares, a bandeja serve para o segundo chip ou para o cartão, e não para os dois. Se você usa dois chips, isso importa.
Capacidade: quanto comprar
A escolha depende do que você guarda.
- 64 GB: dá para músicas, fotos e alguns vídeos curtos.
- 128 GB: um bom equilíbrio para a maioria das pessoas.
- 256 GB ou mais: para quem grava muitos vídeos em alta qualidade ou leva uma biblioteca grande de músicas e filmes.
Os tipos de cartão acompanham a capacidade: microSDHC vai até 32 GB, microSDXC de 64 GB a 2 TB e microSDUC acima disso. Cartões até 32 GB usam o sistema FAT32, e os maiores usam exFAT. Se você tem pouco espaço no celular e quer apenas aliviar o armazenamento, veja também como liberar espaço no celular Android.
Velocidade: as siglas que importam
A velocidade influencia no tempo de cópia, na gravação de vídeo e no uso de apps.
- Classe 10: velocidade mínima de gravação de 10 MB/s, suficiente para fotos e vídeos Full HD.
- UHS-I U1 e U3: U1 garante gravação mínima de 10 MB/s e U3 de 30 MB/s. O U3 é indicado para vídeos 4K.
- V10, V30, V60: a classe de vídeo indica a gravação mínima de 10, 30 e 60 MB/s. O V30 é adequado para 4K.
- A1 e A2: classes de desempenho para apps. Se você pretende instalar aplicativos no cartão, escolha A1 ou A2.
Além disso, o cartão informa a velocidade de leitura, como 100 MB/s, mas é a velocidade mínima de gravação que realmente garante vídeos sem falhas. Cartões muito lentos fazem o app de câmera travar ou parar a gravação.
Como evitar cartão falsificado
Falsificação é um problema comum em cartões de memória. O cartão informa 512 GB, mas tem muito menos espaço real, e os arquivos começam a ser perdidos quando o espaço de verdade acaba. Para reduzir o risco:
- Compre de marcas conhecidas, como SanDisk, Samsung, Kingston e Lexar, em lojas oficiais ou revendedores confiáveis, com nota fiscal.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado e de vendedores desconhecidos.
- Observe a embalagem e a impressão do cartão. Erros de escrita e acabamento ruim são alertas.
- Teste o cartão assim que chegar. Existem programas gratuitos, como o H2testw no Windows e o F3 no Linux e no macOS, que gravam e leem dados em todo o espaço e mostram se a capacidade é real.
Como instalar, formatar e usar o cartão
Passo a passo
- Desligue o celular se o modelo exigir, ou siga as instruções para abrir a bandeja com o pino que vem na caixa.
- Coloque o cartão no local indicado, com os contatos voltados para o lado certo.
- Ligue o celular e aceite a opção de configurar o cartão, se aparecer.
- Em Configurações > Armazenamento, formate o cartão no próprio celular. Os nomes podem variar conforme a marca e a versão.
Ao formatar, alguns celulares oferecem armazenamento portátil, que é usado como espaço extra e pode ser tirado e lido em outros aparelhos, ou armazenamento interno (adotável), que mistura o cartão com a memória do celular, mas deixa de ser legível em outros aparelhos. O primeiro é mais seguro para a maioria. Nem todos os fabricantes oferecem a segunda opção.
O que guardar no cartão
O cartão é ótimo para:
- Fotos e vídeos. Muitos apps de câmera permitem escolher o cartão como local de salvamento.
- Músicas, podcasts e filmes baixados.
- Arquivos grandes, como documentos e PDFs.
Apps instalados no cartão podem ficar mais lentos, porque o cartão costuma ser mais lento que a memória interna. Prefira deixar os apps na memória do celular, a não ser que o cartão seja A1 ou A2.
Cuidados para não perder arquivos
- Ejete antes de retirar: vá em Armazenamento e escolha desmontar ou ejetar o cartão antes de tirá-lo. Isso evita corrupção.
- Mantenha cópias: o cartão pode falhar sem aviso. Salve o que é importante na nuvem ou no computador. Veja backup do Android.
- Evite calor e umidade, e não deixe o cartão solto.
- Troque o cartão que apresentar erros, como arquivos que não abrem ou lentidão repentina.
- Para passar arquivos ao computador, use um leitor de cartão ou um adaptador. O guia de como passar fotos do celular para o PC mostra alternativas.
E se o seu celular não aceita cartão?
Nesse caso, a solução é aumentar o espaço de outra forma: escolher um modelo com mais armazenamento interno, usar a nuvem para fotos e vídeos ou levar arquivos grandes em pendrives e SSDs externos com conector compatível. Quem usa iPhone encontra dicas em iPhone com armazenamento cheio.