Receber o e-mail de rejeição depois de semanas de trabalho dá desânimo, mas é mais comum do que parece. Quase todo mundo é rejeitado alguma vez, e a maioria das causas se resolve em poucos dias quando você entende o que a loja quer. Aqui estão os motivos mais frequentes, o que fazer ao receber a notícia e como evitar o problema desde o início.
O que acontece na revisão
Antes de aparecer na loja, todo app passa por análise. Na App Store, o processo é conduzido pela equipe de revisão da Apple, que testa o app e confere as diretrizes. Na Google Play, há verificações automáticas e, em muitos casos, revisão por pessoas, tudo com base nas políticas do programa para desenvolvedores. Os dois lados olham para:
- se o app funciona de verdade;
- se o que está na página da loja corresponde ao que o app faz;
- se respeita regras de privacidade, segurança, conteúdo e pagamentos.
As regras são atualizadas com frequência. Por isso, sempre leia as diretrizes atuais antes de cada envio importante.
Os motivos mais comuns de rejeição
1. Falhas, travamentos e funções incompletas
O app fecha sozinho, uma tela não carrega ou um botão não faz nada. Os revisores testam o fluxo principal e, se algo quebra, o app volta. Também é comum esquecer textos de exemplo, imagens de teste e links que levam a páginas vazias.
2. Falta de acesso para o revisor
Se o app exige login, o revisor precisa conseguir entrar. Informe nas notas da submissão uma conta de teste pronta, com dados de exemplo. Um app que o revisor não consegue abrir é reprovado.
3. Privacidade em desacordo
- política de privacidade ausente, inacessível ou genérica demais;
- permissões pedidas sem explicação, como câmera, localização e contatos;
- formulários de privacidade das lojas que dizem uma coisa enquanto o app faz outra, por exemplo declarar que não coleta dados e usar bibliotecas de anúncios;
- falta de forma de apagar a conta dentro do app, quando ele permite criar conta.
O texto sobre política de privacidade para app mostra como organizar isso.
4. Cobrança fora das regras
Vender itens ou assinaturas digitais sem usar o sistema de compras da loja, esconder o preço ou dificultar o cancelamento são motivos frequentes de reprovação. As regras variam conforme o tipo de bem e o país, e mudam com o tempo.
5. App que é só um site embrulhado
Apps que apenas abrem um endereço da web dentro de uma moldura, sem nenhuma função própria, costumam ser recusados por oferecerem pouco valor. Se a sua ideia é basicamente um site, considere um site instalável. O texto sobre PWA explica essa alternativa.
6. Conteúdo gerado por usuários sem moderação
Apps com comentários, fotos ou chat precisam de mecanismos para denunciar conteúdo ofensivo, bloquear usuários e remover o que viola as regras.
7. Informações enganosas na página da loja
Capturas de tela que não mostram o app real, descrições com promessas falsas, nome parecido com marcas conhecidas ou uso indevido de marcas de terceiros. Palavras-chave repetidas em excesso no título também podem causar problemas.
8. Requisitos técnicos desatualizados
As lojas exigem, periodicamente, que os apps usem versões recentes do sistema e das ferramentas de desenvolvimento. Um app que ignora esses requisitos pode ser barrado em novas publicações e atualizações.
9. Cópia e spam
Apps muito parecidos com outros, enviados em série com pequenas variações, ou que copiam conteúdo de terceiros sem autorização costumam ser rejeitados.
O que fazer ao receber a rejeição
- Leia a mensagem inteira. Ela cita a regra violada e, geralmente, descreve o problema. Anote o número ou o nome da diretriz.
- Reproduza o problema. Teste no mesmo tipo de aparelho e na versão enviada para a loja, e não apenas na versão de desenvolvimento.
- Corrija o ponto citado e confira o resto. Aproveite para revisar itens parecidos que também possam ser apontados.
- Responda à loja explicando o que mudou. Seja objetivo e educado. Na App Store, a conversa acontece pelo Centro de Resolução do App Store Connect. Na Google Play, os avisos aparecem no Play Console.
- Reenvie. Se discordar da decisão, use o canal de recurso, com argumentos claros e provas, como capturas de tela e vídeos.
Checklist antes de enviar
- Testei o fluxo principal do começo ao fim, em aparelhos reais e com internet lenta.
- Testei a versão final de lançamento, não só a de desenvolvimento.
- Não há textos de exemplo, imagens provisórias nem links quebrados.
- Informei uma conta de teste e instruções, se o app exige login.
- A política de privacidade está acessível por link e dentro do app.
- Cada permissão pedida tem justificativa e aparece no momento certo.
- As declarações de privacidade das lojas refletem tudo o que o app e as bibliotecas coletam.
- Pagamentos e assinaturas seguem as regras da loja e mostram preço e renovação com clareza.
- As capturas de tela e a descrição mostram o app real.
- Existe forma de excluir a conta e, se houver conteúdo de usuários, de denunciar e bloquear.
- Defini corretamente a classificação indicativa.
Planeje a publicação com folga
Reserve alguns dias a mais para possíveis ajustes e evite marcar o lançamento para o dia seguinte ao envio. Os passo a passo de como publicar um app na Google Play e de como publicar um app na App Store detalham o preenchimento das informações. Se as contas de desenvolvedor forem novas, confira também se há exigências extras, como testes fechados, antes de abrir o app ao público.
Se foi rejeitado hoje, respire: leia o motivo, corrija o que foi apontado e use o checklist para revisar o restante antes de reenviar.